O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que respeitará o resultado das eleições, independentemente de vencer ou perder a disputa. A declaração foi dada durante uma entrevista em que também apresentou propostas para a atuação das Forças Armadas e comentou os atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas, em Brasília.
Questionado sobre a relação entre os militares e a política, Flávio afirmou que pretende convocar os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, além de representantes das polícias estaduais, para anunciar medidas de combate ao narcotráfico.
“Vamos declarar guerra ao narcotráfico aqui no Brasil”, declarou.
Propostas para as Forças Armadas
Entre as medidas citadas pelo candidato estão o reforço da atuação militar nas fronteiras, a criação de uma tropa de elite da Marinha para atuar no Porto de Santos e ações de combate ao tráfico de drogas na região amazônica e na fronteira com a Bolívia.
Flávio também afirmou que pretende incluir o Brasil no chamado “Escudo das Américas”, iniciativa que, segundo ele, permitiria o intercâmbio de informações e inteligência para combater o terrorismo, inclusive na região da Tríplice Fronteira, próxima a Foz do Iguaçu.
O senador disse ainda que as Forças Armadas foram sucateadas durante o atual governo e prometeu recuperar a estrutura e a valorização das instituições militares.
Ao ser questionado se exigiria dos futuros comandantes militares que compartilhassem sua interpretação sobre os acontecimentos da transição de 2022 e do 8 de Janeiro, Flávio classificou os episódios como uma “farsa” e afirmou que teriam sido articulados para afastar o ex-presidente Jair Bolsonaro da vida pública.
O que disse sobre o 8 de Janeiro
Durante a entrevista, a jornalista citou episódios de depredação de prédios públicos, ataques a policiais e o roubo de armas do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Questionado sobre como os responsáveis deveriam ser punidos, Flávio respondeu que as sanções devem seguir a legislação e ser proporcionais aos crimes cometidos.
“Dentro da lei, conforme a proporção dos crimes que eles cometeram”, afirmou. Ele também disse que a depredação do patrimônio público e a agressão a policiais são condutas inaceitáveis.
Na sequência, porém, o senador questionou a caracterização dos atos como tentativa de golpe, mencionando manifestantes que, segundo ele, estavam no local sem intenção de participar de uma ação golpista. A jornalista voltou a esclarecer que a pergunta se referia especificamente às pessoas que depredaram prédios e atacaram agentes de segurança.
Críticas ao governo Lula
Flávio também criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusando o governo federal de agir por motivações políticas em decisões relacionadas à Prefeitura de São Paulo, administrada por Ricardo Nunes (MDB).
O senador citou a discussão sobre a implantação da chamada Faixa Azul, voltada à circulação de motociclistas, e a autorização de empréstimos para investimentos na saúde da capital paulista. As declarações foram apresentadas por ele como exemplos de suposta retaliação política.
Na parte final da entrevista, Flávio fez críticas à gestão federal em temas como segurança pública, queimadas, endividamento e fechamento de empresas. As afirmações foram feitas pelo candidato durante o confronto com a jornalista.
Compromisso com o resultado das eleições
Ao ser questionado diretamente se respeitará o resultado das urnas caso seja derrotado, Flávio respondeu: “Independentemente de qual for o resultado, eu vou respeitar”.
Em seguida, afirmou acreditar que o país escolherá uma mudança de governo e voltou a criticar a administração de Lula.













