Os casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes no Espírito Santo cresceram no período de um ano. No ano passado foram registrados 1.886 casos, contra 1.476 casos em 2024, o que representa um aumento de 27%.
Segundo especialistas, crimes como este são difíceis de enfrentar por uma particularidade: a maior parte dos abusos é cometida em casa.
Nesta segunda-feira (18), Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, estudantes e professores de escolas de Vila Velha realizaram uma manifestação na Prainha.
O dia foi escolhido por representar a data em que Araceli Cabrera Crespo, de 8 anos, foi sequestrada, abusada sexualmente e morta por três homens, em Vitória, em 1973. Um dos suspeitos de participação no crime, Dante de Brito Michelini, o “Dantinho”, foi morto este ano.

A Justiça do Espírito Santo entregará autos da investigação à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, para fundamentar pedido de reparação histórica ao Estado Brasileiro.
Segundo o conselheiro tutelar de Vila Velha, Saulo Pedro, muitas vezes vizinhos e familiares têm papel fundamental para acabar com o ciclo de violência.
É necessário estar atento às crianças e denunciar a qualquer sinal de abuso ou agressão a menores.
“Quando há situação de violência há vizinhos que denunciam, e às vezes parentes que estão vendo a situação, veem que é necessário acabar com aquilo”, disse.
Carla Cabidel, secretária de Educação de Vila Velha, explica que as escolas têm como obrigação orientar os alunos a como se proteger em casos de risco.
Por conta disso, diversas escolas de Vila Velha recebem palestras e treinamentos para orientar e acolher crianças e adolescentes.
Temos o dever de garantir a segurança e o bem-estar das nossas crianças, e nas nossas unidades de ensino tem acontecido várias palestras, movimentos, de conscientização, espaços de diálogo para que a criança e o adolescente possa se sentir confortável em buscar ajuda.Carla Cabidel, secretária de Educação de Vila Velha
O desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), Raphael Americano Câmara, relata que o Estado agora conta com novas salas de depoimentos para crianças e adolescentes.
As medidas são importantes, segundo ele, porque conforme métodos de segurança evoluem, os métodos dos abusadores também.
“À medida em que as instituições promovem medidas de defesa, preservação, condenação, os abusadores também se especializam. O Judiciário capixaba inaugurou mais cinco salas especiais de depoimentos de crianças e adolescentes, estamos fazendo um mutirão em maio”, afirmou.
Importância do diálogo
A terapeuta de crianças e adolescente, Gracielle Paz, é mãe de Theo Paz, de 6 anos. Ela conta que o diálogo com o filho é fundamental para orientá-la.
De acordo com ela, os conselhos repassados aos pacientes também são extremamente úteis para o próprio filho.
“Eu sempre digo a ele: tocou onde você não quer que toque, às vezes pode ser numa brincadeira, você não quer? Você pode gritar. Às vezes quer te levar para algum lugar que você não quer ir, você tem o direito de não ir, gritar e pedir socorro”, disse.














