Investigação apura participação de policiais militares no repasse de informações e em negociações clandestinas de armas e munições; um PM é considerado foragido
A Polícia Civil do Rio de Janeiro, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar e do Ministério Público estadual, realizou nesta terça-feira (13) uma operação contra um esquema de tráfico de drogas e armas ligado ao Comando Vermelho. A ação teve como alvo endereços em Del Castilho e na Penha, na Zona Norte do Rio, além de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e Maricá, na Região Metropolitana.
Até o momento, três pessoas foram presas. Segundo as autoridades, as investigações apontam que o grupo contava com a participação de policiais militares que usariam a função pública para beneficiar a organização criminosa, inclusive com o repasse de informações privilegiadas e negociações clandestinas de armamentos e munições.
Entre os presos por mandados judiciais estão Kauan Soares Omero, conhecido como Serrão, e Leonardo Aguiar, o Da Nike. Já Kawan Cruzeiro da Cunha foi preso em flagrante após ser encontrado com uma pistola, um rádio comunicador e uma motocicleta roubada.
De acordo com a Polícia Civil, Kawan costumava publicar imagens exibindo armas de fogo nas redes sociais. O policial militar Eric da Silva Lobato, também alvo da operação, não foi encontrado pelos agentes e é considerado foragido.
Investigação começou após apreensão de mais de 100 quilos de cocaína
As apurações tiveram início em outubro de 2023, quando agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP) prenderam o então policial militar da ativa Yuri Luiz Desiderati Ribeiro e Marcos Leandro de Oliveira Serra, conhecido como Kiko. Os dois foram abordados durante o transporte de uma carga com mais de 100 quilos de cocaína na Avenida Brasil.
A partir dessa ocorrência, os investigadores identificaram uma estrutura criminosa mais ampla. Segundo a delegada assistente da DRE, Iasminy Vergetti, Yuri era apontado como um dos articuladores do esquema e negociava o transporte de drogas, armas e munições para a facção. As investigações indicam ainda que ele mantinha proximidade com lideranças criminosas e recebia comissões por armas obtidas para a organização.
Análises de dados telemáticos e interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça também apontaram, segundo os investigadores, que Marcos Leandro mantinha contato direto com Manoel Cinquine Pereira, conhecido como Paulista, identificado como uma das lideranças do Comando Vermelho no Complexo da Penha.
Investigação aponta outros suspeitos
Entre os denunciados está Luciano Santos de Oliveira, conhecido como Hot Wheels, apontado como liderança do tráfico em comunidades de São João de Meriti. Outros investigados, incluindo Paulo Victor Soares de Melo, Leonardo Aguiar da Silva e Kauan Soares Omero, são apontados como integrantes do braço armado da organização, com possíveis funções de segurança e vigilância territorial.
Yuri Luiz Desiderati Ribeiro foi assassinado em julho de 2026, no bairro Pechincha, em Jacarepaguá. Segundo a Polícia Civil, a morte não interrompeu as investigações.
A operação conta com a participação do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. O objetivo é responsabilizar os envolvidos na estrutura de fornecimento de drogas e armas à facção.
Até a divulgação das informações, não havia sido possível obter contato com as defesas dos citados. O espaço permanece aberto para manifestações.














