Uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil do Distrito Federal, deflagrada nesta sexta-feira (19 de junho de 2026), colocou o PicPay e órgãos do governo distrital no centro de uma investigação criminal. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 90 milhões das contas da fintech e de uma associação de servidores públicos. O esquema apura supostos descontos salariais irregulares camuflados em transações financeiras.
A ofensiva mira um modelo de antecipação salarial oferecido ao funcionalismo público que operava desde 2024. Além do PicPay, as buscas e apreensões atingiram o Banco de Brasília (BRB) — gestor da folha de pagamento —, a Secretaria de Economia do DF e o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev). O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) já monitorava a legalidade da modalidade de crédito.
O Esquema Investigado e os Principais Alvos
De acordo com as investigações, a suspeita é de que o aplicativo financeiro cobrava taxas embutidas para disfarçar descontos indevidos nos vencimentos dos servidores. A força-tarefa apura a prática de uma série de crimes, incluindo:
- Crime contra a economia popular e publicidade enganosa;
- Manipulação de dados em sistemas do governo distrital;
- Corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro;
- Organização criminosa.
Executivos e Ex-autoridades Envolvidos
Entre os nomes apontados pela apuração estão Eduardo Chedid Simões, diretor do PicPay (que já havia sido indiciado pela CPMI dos Descontos Indevidos do INSS); Ney Ferraz, ex-secretário de Economia do DF; e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que se encontra preso.
Trajetória da Fintech e Outro Flanco de Investigação
Fundado em 2012 em Vitória (ES) para facilitar transferências instantâneas antes da criação do Pix, o PicPay expandiu-se rapidamente para o ecossistema de cartões, empréstimos e investimentos. O crescimento acelerado atraiu a J&F Investimentos — holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista —, que adquiriu o controle majoritário da empresa em 2015.
Este novo escândalo no Distrito Federal soma-se a outro revés regulatório recente enfrentado pela companhia. Em maio, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu uma investigação contra o PicPay por suspeita de gun jumping (consumação antecipada e irregular de negócio) na aquisição da seguradora Kovr, ligada ao grupo do Banco Master.
Contraponto: O que diz o PicPay
Em nota oficial, o PicPay negou categoricamente as acusações, refutou a alegação de cobranças indevidas e garantiu a lisura de suas operações.
“O valor antecipado era disponibilizado no próprio cartão do cliente, depois de feita a solicitação por ele mesmo no aplicativo, sem intermediários ou associações e sem cobrança nessa modalidade”, informou a empresa.
A fintech destacou que possui uma estrutura sólida de governança e compliance e garantiu que seguirá colaborando integralmente com as autoridades para demonstrar a regularidade de sua atuação no mercado de meios de pagamento.
Informações: A Gazeta














