O homem apontado como principal suspeito de matar a esposa a facadas em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, havia deixado a prisão cerca de nove meses antes do crime. Hiago Moreira Schnornberger cumpriu aproximadamente nove anos de prisão pelo assassinato da ex-namorada, Fernanda Aparecida da Silva, de 18 anos, ocorrido em 2016.
Segundo documentos judiciais consultados pelo g1, Hiago foi condenado, em setembro de 2018, a 24 anos de prisão pelo homicídio triplamente qualificado. O crime aconteceu em 3 de dezembro de 2016, em uma área de mata no município de Pitangueiras, também no interior paulista.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o homem, que tinha 22 anos na época, não aceitava o fim do relacionamento e teria atraído Fernanda para uma área afastada, sob o pretexto de que os dois iriam acampar.
A jovem havia informado à família que iria à igreja. Diante da demora para retornar, a mãe e os irmãos iniciaram buscas e acionaram a polícia.
Conforme as investigações da época, Fernanda foi encontrada com os braços e as pernas amarrados e os olhos vendados. Ela apresentava diversas perfurações provocadas por faca no peito.
Hiago se apresentou à polícia no dia 4 de dezembro, mas foi ouvido e liberado porque, naquele momento, a autoridade policial entendeu que não havia situação de flagrante. O corpo da jovem foi encontrado dois dias depois. Em 8 de dezembro, a Justiça decretou a prisão do suspeito.
Em 20 de setembro de 2018, ele foi condenado pelo Tribunal do Júri a 24 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado. A acusação apontou três qualificadoras: motivo torpe, emprego de meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
Redução da pena e liberdade condicional
Representado pela Defensoria Pública, Hiago recorreu da condenação e conseguiu reduzir a pena de 24 para 14 anos no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A defesa alegou que uma das qualificadoras havia sido considerada duas vezes no cálculo da pena e que a confissão do réu não havia sido reconhecida como circunstância atenuante.
Em 15 de abril de 2025, ele obteve progressão para o regime semiaberto. Já em 15 de janeiro de 2026, passou a cumprir liberdade condicional, após a Justiça considerar os requisitos previstos para a concessão do benefício.
No pedido, a defesa citou o cumprimento do tempo exigido, um atestado de bom comportamento carcerário, a frequência no ensino regular e o trabalho realizado dentro da unidade prisional.
Novo caso em São José do Rio Preto
O novo crime ocorreu na tarde de quarta-feira (21), na residência onde Elisângela morava com a família, no bairro Parque da Cidadania, na zona norte de São José do Rio Preto.
Familiares relataram à polícia que o casal estava junto havia cerca de seis meses e que o relacionamento era marcado por episódios de ciúmes e crises atribuídas ao suspeito.
A filha da vítima, de 15 anos, relatou à TV TEM que a mãe e o padrasto começaram a discutir e, em seguida, entraram em um quarto. Pouco depois, a adolescente ouviu a mãe gritar por socorro, arrombou a porta e encontrou Hiago esfaqueando Elisângela.
A jovem afirmou que tentou interromper as agressões, chegando a dar socos no suspeito. Segundo o relato, ele fugiu a pé e descalço. Uma câmera de segurança registrou o momento em que deixou o imóvel.
Ainda conforme a adolescente, ela ouviu o homem chorar e implorar para que Elisângela reconsiderasse a decisão de terminar o relacionamento. A jovem disse acreditar que ele não aceitava a separação.
A adolescente acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas a mulher não resistiu aos ferimentos.
Segundo a delegada Karina Fernandes Melo Santana, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), o corpo apresentava pelo menos três perfurações provocadas por faca, além de lesões nos braços e nas mãos, compatíveis com tentativas de defesa.
O caso foi registrado como feminicídio e é investigado pela DDM de São José do Rio Preto. Até a última atualização da reportagem do g1, Hiago não havia sido localizado e era considerado foragido.
Importante: Hiago é investigado pelo feminicídio de Elisângela. A responsabilidade pelo novo crime deverá ser determinada pelas autoridades competentes.












