A prisão do falso médico Diogo dos Santos Serpa, realizada na última quinta-feira (6), só foi possível após a mãe de uma menina de 10 anos, em tratamento contra um tumor cerebral, desconfiar da conduta do homem que acompanhava a filha havia cerca de dez meses.
Segundo Cintia Santos Matheus, uma das situações que despertou suspeitas foi o fato de uma das sondas de alimentação da criança permanecer cinco meses sem ser substituída, além de outras inconsistências observadas ao longo do atendimento.
Após pesquisar o nome que aparecia no carimbo utilizado por Diogo, Jeferson Targino Sampaio, no site do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), ela descobriu que a fotografia do profissional registrado não correspondia ao homem que atendia sua filha. Em seguida, acionou a Polícia Civil, que prendeu Diogo durante uma visita domiciliar.
“A gente tem um misto de sentimentos, revolta e raiva. Fiz isso não só pela minha filha, mas porque ele comentou que atendia outras pessoas em home care. Pensei que precisava fazer alguma coisa”, relatou a mãe.
A criança luta contra um meduloblastoma grau IV, um tipo de tumor cerebral maligno considerado de alto risco. Antes de iniciar o tratamento domiciliar, ela já havia passado por dez cirurgias, sendo sete delas na cabeça.
De acordo com a investigação, Diogo utilizava carimbos, receituários e registros profissionais de outros médicos sem autorização, apesar de não possuir formação ou habilitação para exercer a medicina. Durante os atendimentos, ele prescrevia medicamentos, solicitava exames e fazia encaminhamentos médicos em nome de terceiros.
Segundo a mãe, o homem foi indicado por uma empresa de home care vinculada ao plano de saúde da família. Após a prisão, ele afirmou à polícia que cursa Medicina e está no 12º período de uma universidade particular, informação que também será investigada.
O delegado Thiago Venturini Antunes destacou a gravidade do caso.
“É assustador. Trata-se de uma criança em estado extremamente grave. O risco causado por alguém sem habilitação é concreto”, afirmou.
Durante a prisão, os policiais apreenderam carimbos, receituários de controle especial e documentos já preenchidos em nome de outros médicos.
Diogo foi autuado por exercício ilegal da medicina com fins lucrativos, uso de documento falso, falsa identidade, tentativa de estelionato e perigo para a vida ou saúde de outra pessoa.
A Polícia Civil investiga se outras pessoas também foram atendidas pelo suspeito utilizando registros de médicos verdadeiros e apura ainda como ele teve acesso aos documentos utilizados nos atendimentos.
Informações: G1














