O avanço do El Niño 2026/2027 levou a Agência Nacional de Mineração (ANM) a recomendar que empresas do setor reforcem os protocolos de segurança de barragens, pilhas de mineração e outras estruturas. A orientação considera a possibilidade de alterações nos padrões de chuva e de ocorrência de eventos hidrometeorológicos mais intensos em diferentes regiões do país.
O alerta ocorre em meio à atualização mais recente do Painel El Niño 2026-2027, elaborado por órgãos como INPE, INMET, ANA e Cemaden. Segundo o boletim divulgado nesta quinta-feira (1º), há 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro, além de previsão de permanência pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.
Embora os efeitos do fenômeno variem de acordo com a região, os órgãos de monitoramento reforçam a necessidade de acompanhamento contínuo das condições meteorológicas, hidrológicas e geológicas.
ANM recomenda reforço na prevenção
Em comunicado aos empreendedores, a ANM recomendou uma série de medidas para reduzir riscos durante períodos de condições meteorológicas adversas.
Entre as orientações estão a verificação dos sistemas de drenagem superficial, estruturas extravasoras e equipamentos de bombeamento, garantindo que estejam em condições adequadas para responder a eventos hidrometeorológicos críticos.
A agência também orientou o reforço do monitoramento dos instrumentos instalados nas estruturas e a intensificação das inspeções, principalmente durante e depois de períodos de chuva intensa.
As equipes devem observar possíveis sinais de erosão, infiltrações, trincas, movimentações de massa e outras alterações nas condições de taludes, acessos, ombreiras e demais componentes.
A ANM também destacou a importância de manter os sistemas de comunicação e alerta funcionando e de ampliar a articulação com órgãos de proteção e defesa civil. A responsabilidade pela segurança das estruturas permanece com o empreendedor, que deve comunicar imediatamente à agência eventuais alterações nas condições de segurança, incidentes ou situações de emergência.
Municípios defendem fiscalização adaptada ao cenário climático
A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig) também levou à ANM a preocupação com os possíveis impactos do fenômeno sobre as estruturas de mineração.
A entidade defende que a fiscalização considere eventuais mudanças na intensidade, frequência e distribuição das chuvas, especialmente porque parte dos parâmetros utilizados em projetos e avaliações tem como referência séries históricas de precipitação.
Entre os riscos apontados estão o aumento da infiltração e da saturação dos materiais, elevação da pressão interna, redução da resistência de taludes, erosões, aumento das vazões e sobrecarga dos sistemas de drenagem.
A associação também propõe que alertas meteorológicos severos sirvam como gatilho para aumentar a frequência das inspeções e intensificar o acompanhamento de níveis d’água, drenagem, vazões, poropressões, deformações e processos erosivos.
Mineradoras reforçam medidas preventivas
Empresas com operações em Minas Gerais também informaram a adoção de medidas para enfrentar possíveis impactos associados ao El Niño.
A Jaguar Mining informou que preparou ações para diferentes cenários climáticos, incluindo reforço dos sistemas de bombeamento, manutenção e limpeza das drenagens pluviais, melhorias em estradas e acessos e estabilização de taludes. A companhia também utiliza monitoramento e alertas meteorológicos e mantém equipamentos para acompanhamento das condições de chuva nas unidades.
A Vale informou que também reforçou a preparação, utilizando dados de institutos de monitoramento, modelos climáticos, imagens de satélite, radares e informações de estações meteorológicas distribuídas pelos estados onde possui operações.
No Sudeste, segundo a empresa, as medidas incluem maior atenção aos sistemas de drenagem, inspeções das estruturas operacionais e monitoramento meteorológico, hidrológico e geotécnico. Os Planos de Emergência também são mantidos atualizados.
Cenário exige monitoramento contínuo
O El Niño foi confirmado em junho de 2026 e, desde então, os órgãos federais vêm atualizando as previsões sobre sua intensidade e seus possíveis impactos. No boletim mais recente, o INPE aponta temperaturas acima da média em grande parte do país e diferenças importantes na distribuição das chuvas entre as regiões.
Para o setor de mineração, o cenário reforça a necessidade de manutenção preventiva, monitoramento permanente e preparação para mudanças nas condições meteorológicas.
A recomendação dos órgãos responsáveis é que empresas e autoridades acompanhem as atualizações climáticas e adotem medidas preventivas antes da ocorrência de eventos extremos.
Informações: Metrópoles














