Rio de Janeiro — Em pronunciamento nas redes sociais, o ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, subiu o tom contra a atual modelagem proposta pelo Governo Federal para o leilão da Estrada de Ferro 118 (EF-118), também conhecida como o Anel Ferroviário do Sudeste.
O projeto, que prevê ligar o Rio de Janeiro ao Espírito Santo ao longo de 575 km, está na pauta de concessões do Ministério dos Transportes. No entanto, o desenho atual das etapas do leilão gerou forte descontentamento no cenário político fluminense.
O Nó Logístico: Porto do Açu como Terminal de Exportação?
De acordo com o plano do Governo Federal, a concessão foi dividida em duas fases. A primeira etapa, considerada obrigatória no contrato de concessão, compreende um trecho de aproximadamente 246 km que liga o Espírito Santo até o Porto do Açu, localizado em São João da Barra, no Norte Fluminense.
Para Eduardo Paes, essa configuração limita o potencial econômico do estado:
“O que eles estão desenhando transforma, na prática, o Porto do Açu num corredor de minério e commodities, basicamente em um terminal de exportação para o estado vizinho”, criticou o ex-prefeito, ressaltando a relevância do Rio na produção nacional de petróleo e no recebimento do gás do pré-sal.
O foco da crítica reside na segunda fase do projeto, o chamado Trecho Sul. Este traçado, que prevê descer do Porto do Açu e cruzar o território fluminense até a Baixada Fluminense — conectando-se à malha da MRS Logística em Nova Iguaçu —, ficou classificado como um “investimento contingente”. Na prática, isso significa que a extensão não tem data garantida para sair do papel e depende de futuras reavaliações de demanda.
As Demandas do Rio de Janeiro
A cobrança pública de Paes ao Ministério dos Transportes é para que o Trecho Sul seja incluído como uma obrigação contratual imediata do leilão, e não como uma promessa de longo prazo. O argumento central é que o estado necessita da ferrovia de ponta a ponta para impulsionar o mercado interno, gerar empregos e descentralizar o desenvolvimento industrial.
As principais regiões e municípios apontados como diretamente impactados pelo Trecho Sul são:
- Macaé e Região dos Lagos: Polos consolidados da cadeia de petróleo e gás.
- Maricá e Itaboraí: Áreas estratégicas voltadas ao processamento de gás natural (como o Complexo de Boaventura, antigo Comperj), que já recebem insumos da Bacia de Campos.
- Baixada Fluminense: Conexão final com a malha logística de cargas da Região Metropolitana.
[Espírito Santo] ───(Fase 1: Obrigatória)───► [Porto do Açu] ───(Fase 2: Sem data)───► [Baixada Fluminense]
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Alvo da cobrança do Rio
Próximos Passos e Articulação
O Ministério dos Transportes planeja realizar o certame da concessão, que terá validade de 50 anos e prevê bilhões de reais em investimentos públicos e privados. Diante do cronograma apertado, lideranças fluminenses buscam pressionar a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a União para modificar o edital antes da batida do martelo na bolsa de valores (B3).
“Aqui não tem disputa de partido, tem o Rio de Janeiro. Depois que assinarem, reclamar não adianta mais”, alertou Paes, sinalizando que a bancada e as lideranças do estado devem manter uma posição firme de enfrentamento técnico para garantir os trilhos integrados em todo o território do Rio.














