A proibição das bets no Brasil abriu uma nova discussão sobre as fontes de receita do futebol brasileiro. Com a Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada pelo governo federal na sexta-feira (25), o país passou a proibir a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa.
Nesse cenário, o governo federal avalia a criação de uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões para clubes de futebol e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). A proposta, segundo informações divulgadas pela imprensa, seria estruturada por meio de um programa de reestruturação financeira do futebol profissional.
O modelo em discussão não prevê perdão de dívidas. A ideia seria permitir que clubes substituam compromissos financeiros mais caros e de curto prazo por financiamentos de prazo maior, incluindo possíveis débitos trabalhistas, tributários, previdenciários e empréstimos bancários.
Ainda não há, porém, um programa oficialmente formalizado nem garantia de que o valor de R$ 20 bilhões será disponibilizado nos moldes atualmente discutidos.
BNDES nega participação
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) afirmou que não participou de discussões sobre a possibilidade de financiar clubes de futebol. Segundo o banco, há uma vedação estatutária para esse tipo de financiamento.
A eventual estrutura da linha de crédito, portanto, ainda depende de definição sobre quais instituições financeiras poderiam participar, as condições dos empréstimos e os mecanismos de garantia.
Entre as condições discutidas estão prazo de pagamento de até 20 anos e período de carência de dois anos. A proposta também prevê restrições para o uso dos recursos, que não poderiam ser destinados a despesas correntes, como salários, contratação de jogadores ou outros gastos rotineiros.
Impacto das bets no futebol
A presença das casas de apostas no futebol brasileiro cresceu nos últimos anos, principalmente na área de patrocínios. Levantamento da consultoria Sports Value sobre as finanças dos 20 clubes de maior receita do país mostra o peso crescente das receitas comerciais no futebol brasileiro.
Segundo os dados apresentados no material que embasa a discussão, os patrocínios de empresas de apostas chegaram a representar uma parcela significativa das receitas de marketing de grandes clubes.
Além dos contratos comerciais, a legislação anterior também previa repasses relacionados às apostas para clubes, entidades esportivas e atletas. Com a proibição estabelecida pela nova MP, essas fontes de recursos entram em processo de encerramento conforme o cronograma definido pelo governo.
A medida também determina a retirada de publicidade e patrocínios relacionados às bets, com prazo até 5 de outubro para a retirada voluntária de materiais publicitários. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar.
Crédito ainda depende de definição
Apesar das discussões, o eventual programa de financiamento ainda pode sofrer alterações antes de ser formalizado. Caso seja criado, os clubes continuariam responsáveis pelo pagamento das dívidas assumidas.
A proposta em análise teria como objetivo reorganizar passivos existentes, e não financiar despesas operacionais ou contratações. As regras finais, incluindo valor disponível, taxas, prazo, instituições participantes e critérios para adesão, ainda precisam ser definidas.















