Em um ensaio clínico de fase final, a terapia personalizada de mRNA contra o câncer desenvolvida pela Moderna em parceria com a MSD demonstrou eficácia ao reduzir o risco de recorrência e de disseminação (metástase) do melanoma — a forma mais letal de câncer de pele. O tratamento combina a vacina personalizada, chamada Intismeran, com o imunoterápico Keytruda.
Com a divulgação dos resultados preliminares nesta quarta-feira (19), as ações da Moderna registraram forte alta de mais de 145% por volta das 14h05 (horário de Brasília).
Avanço em relação à terapia isolada
O estudo incluiu 1.137 pacientes de alto risco (estágios IIB a IV) que já haviam passado por cirurgia para remoção do tumor. Os voluntários foram divididos para receber até nove doses da combinação entre o Keytruda e a vacina personalizada ou apenas o Keytruda isoladamente por cerca de um ano.
Os dados do estudo mostraram que o tratamento atingiu tanto o objetivo primário quanto o secundário, superando os resultados da terapia com Keytruda sozinho:
- Primeiro resultado positivo de fase final: É o primeiro estudo a comprovar a eficácia de uma vacina de mRNA contra o câncer em fase avançada e a demonstrar ganhos reais ao somar uma terapia ao Keytruda.
- Redução prolongada de riscos: Em etapas anteriores do ensaio (fase intermediária), a combinação já havia demonstrado uma redução de 49% no risco de recorrência ou morte após cinco anos de acompanhamento.
- Segurança: As empresas relataram que nenhum novo sinal de alerta de segurança surgiu ao longo dos testes.
Tratamento individualizado e expectativas de mercado
Diferente de algumas terapias celulares, o tratamento não utiliza as células do próprio paciente no processo de fabricação, mas sim uma vacina projetada a partir do mapeamento genético das mutações do tumor de cada indivíduo. Segundo o CEO da Moderna, Stephane Bancel, esse modelo de fabricação pode facilitar a escala de produção e conter custos. O valor final da terapia ainda não foi definido.
O presidente da Moderna, Stephen Hoge, classificou o avanço como um marco histórico para tratamentos individualizados e indicou que, devido à classificação de terapia inovadora concedida pelos órgãos reguladores, o medicamento pode estar disponível para milhares de pacientes já no próximo ano. Analistas estimam que o tratamento possa gerar cerca de US$ 3 bilhões em vendas anuais para melanoma até 2035.

