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Saúde: Lula e Flávio Bolsonaro apresentam propostas para reduzir filas, ampliar atendimentos e modernizar o SUS

Os planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para as eleições de 2026 apresentam propostas para melhorar o atendimento à população, reduzir filas no Sistema Único de Saúde (SUS) e ampliar o acesso a consultas, exames e medicamentos.

Os dois candidatos defendem o uso da tecnologia para tornar os serviços mais acessíveis e melhorar a organização dos atendimentos. As propostas, porém, apresentam diferenças na forma de ampliar a capacidade da rede pública, utilizar serviços privados e estruturar os programas de prevenção e assistência social.

Enquanto Flávio Bolsonaro enfatiza a digitalização do SUS, o uso de inteligência artificial no agendamento, a contratação de serviços privados em horários ociosos e o atendimento domiciliar, Lula propõe dar continuidade à expansão da rede pública, fortalecer a atenção básica e ampliar programas como o Agora Tem Especialistas.

Agendamento por inteligência artificial e digitalização do SUS

Flávio Bolsonaro propõe concluir a digitalização do SUS e implantar um prontuário eletrônico único, vinculado ao CPF e integrado à plataforma Gov.br. O sistema reuniria informações sobre consultas, exames, vacinas e prescrições médicas, com integração entre as redes pública e privada.

O plano também prevê o uso de inteligência artificial para agilizar o agendamento de consultas e exames. A ferramenta deverá ajudar a identificar a primeira vaga disponível para cada paciente, reduzindo o tempo de espera e evitando a repetição de procedimentos já realizados.

O documento prevê a observância do consentimento dos pacientes, da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), do sigilo médico e dos protocolos de segurança da informação.

Lula também propõe ampliar a integração digital dos serviços de saúde. O plano prevê acelerar a consolidação do prontuário único do cidadão por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), permitindo que consultas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) sejam agendadas pelo celular e que os resultados de exames fiquem disponíveis digitalmente.

O programa petista ainda prevê o uso de inteligência artificial para auxiliar na triagem, priorizar casos graves, organizar o acesso a especialistas de acordo com o risco clínico e apoiar diagnósticos em regiões com escassez de profissionais.

A diferença está no detalhamento das propostas: Flávio destaca a busca pela primeira vaga disponível e a integração de registros públicos e privados, enquanto Lula enfatiza a organização das filas conforme a gravidade dos casos e a integração entre os diferentes níveis de atendimento do SUS.

Consultas, exames e redução das filas

Na proposta de Flávio Bolsonaro, uma das medidas para ampliar a oferta de serviços é contratar exames e atendimentos na rede privada durante períodos em que equipamentos e profissionais estejam ociosos. A intenção é utilizar a estrutura já existente para atender pacientes que aguardam na rede pública, sem depender exclusivamente da construção de novas unidades.

O plano também prevê a modernização dos hospitais universitários federais, por meio do fortalecimento da Rede Nacional de Hospitais Inteligentes, vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

Outra iniciativa é ampliar a telessaúde e o teleatendimento por aplicativo, permitindo que médicos de regiões com menor demanda atendam pacientes de localidades onde as filas são maiores.

Lula propõe continuar e ampliar o programa Agora Tem Especialistas, com expansão dos atendimentos no terceiro turno, reforço das Carretas da Saúde e realização de mutirões de consultas, exames e cirurgias.

O plano também prevê manter parcerias com hospitais privados para ampliar a oferta de procedimentos ao SUS, inclusive por meio de compensações envolvendo créditos financeiros ou dívidas. Outra frente é modernizar hospitais, policlínicas e equipamentos de diagnóstico, além de expandir a telessaúde, a telecirurgia e a cirurgia robótica.

Para organizar a demanda, Lula prevê uma fila única digital, com maior transparência e priorização dos pacientes conforme o risco clínico.

Prevenção, exames e vacinação

A prevenção de doenças também aparece nos dois documentos.

Flávio Bolsonaro propõe ampliar a Estratégia Saúde da Família, facilitar o acesso a exames preventivos e manter a imunização, além de incentivar a produção nacional de vacinas. O plano prevê ainda utilizar inteligência artificial para identificar pessoas com maior risco de adoecer e encaminhá-las preventivamente para atendimento, antes que o quadro se agrave.

Outra proposta é corrigir efetivamente a tabela de remuneração do SUS, com o objetivo de aproximar os valores pagos aos prestadores dos custos reais dos serviços. Segundo o documento, a medida busca melhorar as condições de atendimento em hospitais, santas casas e clínicas, especialmente em municípios do interior.

Lula propõe ampliar as campanhas de vacinação em todo o país, com ações em escolas e locais de grande circulação. O programa prevê fortalecer a vacinação contra a dengue para a população elegível, ampliar a proteção contra o vírus sincicial respiratório (VSR) e continuar incorporando novas vacinas ao calendário do SUS.

Na prevenção e no diagnóstico de câncer, o plano prevê ampliar a rede especializada, fortalecer centros de diagnóstico e tratamento e utilizar a telessaúde para acelerar a identificação de doenças em regiões com falta de profissionais.

Também estão previstas medidas para ampliar exames de rastreamento e o diagnóstico precoce dos cânceres de mama e do colo do útero.

Medicamentos e atendimento domiciliar

Flávio Bolsonaro propõe criar um sistema de entrega de medicamentos em domicílio para idosos, pessoas com deficiência e pacientes com doenças crônicas. A medida busca diminuir as dificuldades de deslocamento de quem precisa manter tratamentos contínuos.

O plano também prevê ampliar a telessaúde e facilitar o acesso aos serviços para pessoas que vivem longe dos grandes centros.

No programa de Lula, uma das principais medidas é manter o Farmácia Popular com distribuição integralmente gratuita dos medicamentos oferecidos pelo programa. O documento prevê ampliar os locais de retirada, especialmente nas periferias e em regiões sem farmácias conveniadas, além de incluir exames laboratoriais e procedimentos de monitoramento de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes.

O plano também prevê continuidade dos investimentos na assistência farmacêutica e na produção nacional de medicamentos e insumos estratégicos, com parcerias entre instituições públicas, universidades e empresas brasileiras.

Saúde dos idosos e apoio aos cuidadores

O envelhecimento da população é outro ponto abordado nos programas, com propostas para ampliar a assistência e apoiar familiares responsáveis pelos cuidados.

Flávio Bolsonaro propõe criar o Programa de Atendimento aos Idosos, com atendimento facilitado e adaptado às necessidades dessa população. O documento também prevê o programa Casa Segura para Envelhecer, que ofereceria subsídios a famílias de menor renda para adaptar residências, além de um aplicativo de companhia com alertas de perigo para idosos que vivem sozinhos.

Outra medida é ampliar as instituições de longa permanência para idosos, destinadas aos casos em que o cuidado familiar não seja viável ou suficiente. O candidato também propõe ampliar a Rede Nacional de Cuidado, com centros-dia e atendimento domiciliar em parceria com estados, municípios e organizações sociais.

Lula, por sua vez, defende fortalecer as equipes de Saúde da Família, especialmente as multiprofissionais, para ampliar a assistência a uma população que envelhece. O plano também estabelece a continuidade da Política Nacional de Cuidados, que reconhece o cuidado como um direito e prevê a corresponsabilização entre Estado, famílias e sociedade.

Embora os dois programas abordem as necessidades de idosos e pessoas que dependem de cuidados contínuos, o documento de Flávio detalha medidas específicas de adaptação domiciliar e ampliação de instituições de longa permanência. O de Lula enfatiza a integração dos serviços, a atenção básica e a estruturação de políticas públicas de cuidado.

Saúde mental e problemas relacionados a apostas

Na área de saúde mental, Flávio Bolsonaro propõe ampliar o atendimento a pessoas com depressão, ansiedade e outras condições, além de fortalecer o diagnóstico precoce de crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). O plano também menciona o acompanhamento de idosos com Alzheimer e outras doenças neurológicas, assim como o apoio aos familiares responsáveis pelos cuidados.

O documento inclui ainda a implantação de Centros de Referência em Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Lula prevê ampliar os investimentos na Rede de Atenção Psicossocial e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), com atenção especial a crianças, adolescentes e jovens. O programa também propõe fortalecer o diagnóstico e o acompanhamento de pessoas com TEA e outras neurodivergências.

Um ponto específico do plano petista é ampliar o número de profissionais e as estratégias de atendimento às pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas.

Flávio aborda as apostas on-line em outra parte do documento, dedicada ao endividamento das famílias. O candidato propõe proibir o uso de recursos provenientes de programas sociais em apostas e promover campanhas educativas sobre os riscos financeiros dos jogos.

A medida tem foco principalmente na proteção da renda familiar. Já o plano de Lula menciona expressamente a ampliação das equipes e estratégias de atendimento para pessoas que enfrentam problemas relacionados às apostas, dentro da política de saúde mental.

Quais são as principais diferenças?

Os planos apresentam propostas em áreas semelhantes, como prevenção de doenças, vacinação, digitalização dos serviços e atendimento à população idosa. As diferenças aparecem principalmente na forma como cada candidatura pretende organizar e ampliar a assistência.

Flávio Bolsonaro prioriza a digitalização do SUS com prontuário eletrônico integrado, inteligência artificial para agendamentos, contratação de exames em horários ociosos da rede privada, entrega de medicamentos em domicílio e programas específicos para idosos e seus cuidadores.

Luiz Inácio Lula da Silva propõe fortalecer a atenção básica e as equipes multiprofissionais, ampliar o acesso a especialistas por meio do Agora Tem Especialistas, modernizar hospitais e equipamentos, integrar informações de saúde e manter a distribuição gratuita de medicamentos pelo Farmácia Popular.

Os dois programas também incluem o uso de tecnologia e a ampliação de serviços preventivos, mas apresentam diferenças na estruturação das medidas e nas prioridades descritas.

As propostas são compromissos de campanha, e não garantias de execução. A implementação dependerá de recursos orçamentários, capacidade da rede de atendimento, regulamentações e, conforme a medida, decisões do Congresso Nacional e dos gestores estaduais e municipais.

Consulte os planos de governo na íntegra

Os documentos oficiais estão disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE):

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