A cidade do Rio de Janeiro deverá começar a receber, a partir de outubro de 2027, a primeira frota de ônibus 100% elétricos do município. A Prefeitura do Rio e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciaram, nesta sexta-feira (25), uma parceria para viabilizar a aquisição inicial de 175 veículos e a construção de uma garagem pública na Maré, na Zona Norte. O investimento total previsto é de R$ 509 milhões.
Do montante, R$ 329 milhões serão financiados pelo BNDES por meio do Fundo Clima. Outros R$ 141,2 milhões deverão ser investidos pela empresa que vencer a licitação para operar o serviço, enquanto a Prefeitura ficará responsável por R$ 38,8 milhões.
O projeto será desenvolvido por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). Os 175 ônibus deverão ser distribuídos por 10 linhas, atendendo cerca de 30 bairros e realizando a ligação com o Terminal Gentileza.
Os veículos contarão com ar-condicionado, piso baixo para facilitar o acesso de passageiros com mobilidade reduzida e entradas USB para carregamento de aparelhos eletrônicos. Por serem elétricos, também deverão reduzir o nível de ruído durante a circulação e não emitirão gases pelo escapamento.
Licitação está prevista para dezembro
De acordo com o cronograma apresentado pela Prefeitura, o aviso de consulta pública da PPP deverá ser publicado no Diário Oficial na próxima segunda-feira (28). A previsão é que a licitação seja realizada em dezembro deste ano e que o contrato com a empresa vencedora seja assinado em janeiro de 2027.
Após a assinatura, a concessionária poderá iniciar a compra dos ônibus e a implantação da estrutura necessária para o funcionamento do serviço. O contrato terá duração de 16 anos: um ano destinado à implantação do projeto e os 15 seguintes à operação.
Garagem será construída na Maré
A nova garagem será instalada em um terreno localizado em frente à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na Avenida Brasil, na Maré. A área possui aproximadamente 41 mil metros quadrados, sendo cerca de 23 mil metros quadrados destinados diretamente à operação dos ônibus.
O espaço contará com áreas para estacionamento, manutenção, administração, almoxarifado e carregamento das baterias. A previsão é que os veículos tenham autonomia para cumprir os trajetos durante o dia e retornem à garagem à noite para recarga.
O fornecimento de energia será feito a partir da subestação da Light localizada em Triagem, na Zona Norte. A estrutura permitirá o carregamento dos ônibus durante o período noturno.
Na fase de operação, a garagem deverá contar com aproximadamente 490 motoristas, além de 35 fiscais e 10 despachantes. Também serão formadas equipes para manutenção dos veículos e administração da unidade.
Ônibus serão produzidos no Brasil
Segundo o BNDES, os veículos financiados pelo banco serão fabricados no país. Os ônibus destinados ao projeto do Rio deverão ser produzidos em Campinas, no interior de São Paulo.
A exigência de fabricação nacional está relacionada à política de incentivo à indústria brasileira e à geração de empregos.
Meta é chegar a mil ônibus elétricos até 2030
A implantação dos 175 veículos representa a primeira etapa de um projeto mais amplo de eletrificação do transporte coletivo carioca. A meta da Prefeitura é alcançar mil ônibus elétricos em circulação até 2030, número equivalente a cerca de 20% da frota municipal.
A expansão poderá ser antecipada de acordo com a evolução dos preços dos veículos e das futuras encomendas. O BNDES informou que pretende continuar apoiando a transição energética do transporte público do Rio por meio de recursos do Fundo Clima.
De acordo com as informações apresentadas durante o anúncio, o projeto também será a primeira PPP do país voltada à operação de ônibus elétricos. A expectativa é ampliar gradualmente a participação desses veículos no sistema de transporte coletivo da cidade.
Informações: O Dia

