A grande quantia, apreendida em 2014, em Muriaé, financiou a compra de equipamentos de musculação e tatame para o centro de treinamento da PF, na Zona Portuária do Rio. Dando início também ao projeto social chamado “Aventura Federal”.
Quem passa pelas ruas de Muriaé talvez não imagine que uma operação policial na cidade, realizada há alguns anos, acabou mudando o destino de jovens em uma das áreas mais vulneráveis do Rio de Janeiro.
Em 2014, a Polícia Federal descobriu e apreendeu 20 quilos de ouro em barras escondidos em uma casa na cidade. Na época, a carga valia uma fortuna; hoje, o equivalente passa dos R$ 4 milhões.
O ouro pertencia ao chamado “Rabicó”, apontado como um dos maiores líderes do Comando Vermelho e líder do tráfico no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ). Ele está foragido desde 2019, mas o patrimônio que acumulou no crime acabou tomando um rumo completamente diferente.
Após autorização da Justiça, as barras de ouro foram a leilão. O dinheiro arrecadado foi utilizado diretamente em projetos de devolução de serviços à sociedade. Parte desse recurso financiou a compra de equipamentos de musculação e tatame para o centro de treinamento da PF, na Zona Portuária do Rio. Dando início ao projeto social chamado “Aventura Federal”, onde os próprios agentes dão aulas de jiu-jitsu para adolescentes do Morro da Providência.
Ver o patrimônio do tráfico virar investimento em policiamento ou em projetos que afastam os jovens do crime organizado gera um simbolismo forte. Aquilo que foi construído para destruir vidas acaba, no fim das contas, auxiliando para reconstruí-las.
Apuração: reportagem G1 Rio de Janeiro; Série especial do RJ1.

