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Prefeito de Baixo Guandu (ES) fala em demitir 700 pessoas se Ricardo Ferraço perder eleição

Prefeito de Baixo Guandu fala em demitir 700 pessoas se Ricardo Ferraço perder eleição

Vídeo de Lastênio Cardoso gerou questionamentos sobre possível coação eleitoral; coligação de Lorenzo Pazolini acionou a Justiça Eleitoral contra o prefeito e a chapa adversária

O prefeito de Baixo Guandu, no Espírito Santo, Lastênio Cardoso (MDB), afirmou que a administração municipal poderá precisar demitir cerca de 700 pessoas caso Ricardo Ferraço (MDB) não vença o segundo turno da eleição para o governo estadual. A declaração foi feita em um vídeo publicado nas redes sociais no sábado (10), no qual o prefeito também relacionou uma eventual derrota do candidato à continuidade de obras e do transporte escolar.

Na gravação, Lastênio pede votos para Ferraço, que disputa o cargo com Lorenzo Pazolini (Republicanos), ex-prefeito de Vitória. O vídeo foi apagado do perfil do prefeito após a publicação de uma reportagem sobre o caso.

“A prefeitura vai ter que demitir aí talvez umas 700 pessoas”, afirmou Lastênio. Segundo ele, as possíveis demissões também teriam impacto no comércio e na prestação de serviços do município.

Uma consulta ao Portal da Transparência da prefeitura, realizada no domingo (11), identificou 660 cargos comissionados na estrutura administrativa do Executivo municipal.

Durante o vídeo, o prefeito reconhece que os eleitores são livres para escolher seus candidatos, mas associa o resultado das urnas a possíveis consequências para a cidade.

“Sempre digo uma coisa: todo mundo é livre para escolher, fazer suas escolhas, mas também é responsável pelas consequências das suas escolhas”, declarou.

Especialista aponta possível irregularidade eleitoral

O advogado eleitoral Hélio Maldonado, integrante da Comissão Nacional de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), avaliou que as declarações são juridicamente preocupantes e podem caracterizar assédio ou coação eleitoral.

Segundo o especialista, relacionar a manutenção de empregos, obras e serviços públicos ao voto em determinado candidato, utilizando a autoridade do cargo, pode configurar o crime previsto no artigo 300 do Código Eleitoral, além de eventual abuso de poder político. O enquadramento depende da análise dos fatos pelas autoridades competentes.

Prefeito diz que está falando a verdade

Procurado pela reportagem original, Lastênio Cardoso afirmou: “Só estou falando a verdade, se a verdade for crime, então devo pagar”.

O prefeito alegou que os impostos arrecadados com a execução de obras ajudam a custear parte dos servidores municipais e o transporte de estudantes para o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).

“Se as obras pararem, nós não teremos os impostos dessas obras, esse dinheiro é que pagamos uma parte dos servidores e o transporte para o Ifes. Quem quiser pagar pra ver, fica à vontade”, declarou.

Caso chega à Justiça Eleitoral

No domingo (11), a coligação de Lorenzo Pazolini apresentou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) ao Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES). A ação pede que Lastênio seja declarado inelegível por oito anos e questiona os registros de candidatura de Ricardo Ferraço e do candidato a vice, Camillo Neves.

Os pedidos ainda dependem de análise da Justiça Eleitoral. Até a publicação da reportagem original, a campanha de Ferraço não havia respondido ao contato da imprensa.

Informações: A Gazeta

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