Sudeste Agora

PF aponta edição de contrato do Banco Master por Alexandre de Moraes; ministro relator retira sigilo do caso

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do chamado “caso Master”, retirou nesta terça-feira (1º) o sigilo do processo e tornou públicas 52 mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A decisão baseia-se em relatório da Polícia Federal (PF), que indicou que o magistrado teria editado a minuta de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, a banca Barci de Moraes.Sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília., gerada com IA

Sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília.. Fonte: caio acquesta / Getty Images

Proposta envolvia cotas de aeronaves

As investigações da Polícia Federal identificaram ainda a negociação de um segundo contrato envolvendo empresas de Daniel Vorcaro e a banca da família do magistrado.

De acordo com a apuração, em 16 de maio de 2025, o advogado Leonardo Palhares enviou a Vorcaro duas propostas voltadas à quitação dos valores contratuais:

O outro lado

O ministro Alexandre de Moraes optou por não se manifestar sobre os achados da Polícia Federal.

Em nota oficial, a banca Barci de Moraes confirmou ter apresentado a minuta contratual ao ministro, alegando cumprimento de rotinas internas de governança:

“Em virtude da abrangência do pedido de contratação de prestação de serviços advocatícios pelo Banco Master ao Barci de Moraes, o setor de compliance do escritório, como faz em outros casos semelhantes, solicitou informações ao ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia-diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual, tais como ações no STF sobre sua relatoria ou mesmo participação em julgamentos de interesse do possível cliente. Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados.”

O escritório ressaltou ainda que não assinou o segundo contrato citado nas investigações com as empresas de Vorcaro, negou ter aceito a proposta de quitação vinculada a cotas de aeronaves ou outros ativos e reiterou que não recebeu esses bens.

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