Pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) estão aperfeiçoando uma tecnologia conhecida como hipertermia magnética, que utiliza nanopartículas para produzir calor de forma controlada e combater células cancerígenas. O estudo também investiga possíveis aplicações no tratamento da leishmaniose e na remoção de óleo da água contaminada.
A técnica consiste na aplicação de um fluido contendo nanopartículas magnéticas diretamente na região afetada pelo tumor. Em seguida, o local é submetido a um campo magnético alternado, que faz com que as partículas liberem energia na forma de calor.
O objetivo é elevar a temperatura da região entre 41 °C e 45 °C, favorecendo a destruição das células tumorais e reduzindo os danos aos tecidos saudáveis ao redor.
Pesquisa busca controlar o aquecimento
Um dos desafios do estudo é garantir que a temperatura permaneça dentro da faixa adequada para a terapia. Nos testes realizados com magnetita pura, os pesquisadores identificaram risco de superaquecimento, o que motivou o desenvolvimento de novos nanomateriais com propriedades magnéticas ajustadas.
O trabalho é conduzido pelo Grupo Interdisciplinar de Nanotecnologia Aplicada às Biotecnologias (GINAB), integrado pelos professores Pablo Bernardo, Sérgio Seabra e Jefferson Rodrigues de Souza.
Iniciada em 2020, a pesquisa conta com equipamentos adquiridos com recursos da universidade e do Programa de Apoio à Pesquisa, Inovação e Cultura (PAPIC).
Os testes in vitro apresentaram resultados promissores. No entanto, o avanço para experimentos em modelos animais ainda depende da aquisição de um equipamento específico.
Tecnologia também pode ter aplicações ambientais
Além do potencial para o tratamento do câncer, os pesquisadores investigam a utilização da tecnologia contra a leishmaniose, doença causada por parasitas, e em processos de descontaminação da água atingida por óleo.
As pesquisas relacionadas à nanotecnologia fizeram parte dos temas previstos para o I Workshop Interdisciplinar de Nanotecnologia e Inovação da UENF, programado para ocorrer entre os dias 5 e 7 de outubro de 2026, no Centro de Convenções da universidade, em Campos dos Goytacazes.
Apesar dos resultados iniciais, a técnica ainda está em fase de pesquisa e desenvolvimento, sendo necessários novos estudos para avaliar sua segurança e eficácia antes de uma eventual aplicação clínica.

