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Pertences de crianças são jogados no lixo após denúncias de maus-tratos em creche de São Gonçalo

Mães afirmam que roupas, brinquedos e objetos deixados na unidade foram descartados sem aviso; caso é investigado pela Polícia Civil e acompanhado pelo Ministério Público

As denúncias envolvendo a Creche Cantinho do Céu, no bairro Pacheco, em São Gonçalo (RJ), ganharam um novo desdobramento. Mães de alunos afirmam que pertences das crianças foram descartados sem qualquer aviso prévio aos responsáveis, após o fechamento da unidade que se tornou alvo de investigações por supostos maus-tratos.

Segundo os relatos, roupas, brinquedos, carrinhos de bebê e outros objetos que permaneciam na creche foram colocados em sacos de lixo e deixados na calçada, expostos à chuva. Imagens da situação teriam sido compartilhadas entre os responsáveis no início deste mês.

A monitora de transporte escolar Rayssa Catarina do Nascimento, mãe de uma das crianças que aparece em vídeos relacionados às denúncias, afirmou que os familiares tentaram durante semanas recuperar os pertences.

“Passamos o mês inteiro enviando mensagens para a direção e para a coordenação pedindo que abrissem a creche para retirarmos os objetos das crianças, mas não tivemos resposta”, relatou.

De acordo com os responsáveis, muitas crianças permaneciam o dia inteiro na unidade e, por isso, mantinham roupas e outros itens pessoais no local. Além da perda dos objetos, pais também alegam que pagaram mensalidades referentes ao mês de maio e não receberam ressarcimento após o encerramento das atividades.

Outra preocupação das famílias envolve o atendimento às crianças após o fechamento da creche. Rayssa afirma que seu filho, uma das vítimas das agressões denunciadas, segue sem acompanhamento psicológico e sem vaga em uma nova unidade escolar.

Por meio da Secretaria Municipal de Educação, a Prefeitura de São Gonçalo informou que as matrículas para vagas remanescentes da rede municipal permanecem abertas e que o atendimento ocorre conforme a disponibilidade nas unidades. Já o Conselho Tutelar informou que encaminhou os casos para a rede de proteção social e para o Núcleo de Atenção à Criança e ao Adolescente (NACA), responsável pelo acompanhamento de vítimas de violência.

A Prefeitura também destacou que a creche funcionava de forma irregular, sem autorização do Conselho Municipal de Educação e sem alvará para atuar na educação infantil. O caso é acompanhado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e investigado pela 74ª Delegacia de Polícia (Alcântara).

As denúncias vieram à tona após a divulgação de vídeos e relatos que apontam supostas agressões físicas, castigos e situações de negligência dentro da unidade. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para apurar todas as circunstâncias do caso e identificar possíveis responsabilidades.

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Informações: Enfoco

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