A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) e o Ministério Público estadual (MPRJ) realizaram, nesta quarta-feira (28), a Operação Dominus, contra um grupo criminoso ligado ao Comando Vermelho (CV), suspeito de controlar a venda de gás de cozinha em comunidades do estado.
Segundo as investigações, moradores e comerciantes eram pressionados a comprar botijões de fornecedores ligados à organização criminosa. Em alguns locais, o preço chegava a R$ 150. A apuração também identificou relatos de ameaças contra pessoas que se recusavam a seguir as determinações do grupo.
Durante a operação, foram cumpridos pelo menos nove mandados de prisão e 44 de busca e apreensão em São Gonçalo, Itaboraí, Duque de Caxias, Niterói e na cidade do Rio de Janeiro. A ação também resultou no bloqueio de mais de R$ 350 milhões.
Investigação identificou cobrança de comerciantes
De acordo com a Polícia Civil, o grupo impunha regras para controlar a comercialização do gás, restringindo a liberdade de escolha dos consumidores e comerciantes. Além de exigir a compra de produtos de fornecedores vinculados à organização, os criminosos cobrariam pagamentos periódicos sob ameaça de represálias.
A investigação identificou um sistema interno chamado de “metas do gás”, utilizado para organizar a arrecadação e acompanhar quais moradores e comerciantes haviam efetuado os pagamentos.
Em caso de recusa, as vítimas seriam submetidas a intimidações, incluindo ameaças de morte e sequestro. Uma denúncia feita por um morador da comunidade Vai Quem Quer, em Duque de Caxias, contribuiu para o aprofundamento das investigações.
Esquema teria funcionado entre 2024 e 2025
Segundo o Ministério Público, o controle da venda de gás com preços considerados abusivos foi identificado entre 2024 e 2025 em diferentes comunidades fluminenses.
Mensagens analisadas pelos investigadores indicariam a divisão de tarefas entre integrantes do grupo. As atividades incluíam contato com distribuidoras de gás, intermediação com traficantes, cobrança de comerciantes e arrecadação e repasse de dinheiro às lideranças do Comando Vermelho.
A operação busca interromper o esquema de exploração econômica e reunir provas sobre a participação dos investigados. As responsabilidades individuais deverão ser apuradas no decorrer do processo.

