A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), emitiu um alerta nesta terça-feira (2) sobre a alta probabilidade de formação de um novo episódio do fenômeno El Niño nos próximos meses. Segundo o órgão, existe 80% de chance de que o fenômeno se estabeleça entre junho e agosto de 2026, com possibilidade de atingir intensidade moderada ou até forte.
De acordo com a OMM, as projeções indicam ainda mais de 90% de probabilidade de que o El Niño permaneça ativo até pelo menos novembro deste ano. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, provocando alterações significativas nos padrões climáticos em diversas partes do mundo.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, destacou a necessidade de preparação diante dos possíveis impactos.
“Precisamos nos preparar para um possível evento El Niño forte, que agravará as secas, aumentará as chuvas intensas e elevará o risco de ondas de calor tanto em terra quanto nos oceanos”, afirmou.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também reforçou o alerta, classificando o cenário como uma emergência climática.
“O mundo deve tratar este evento pelo que é: um alerta climático urgente. As consequências serão sentidas com ainda mais intensidade e poderão atravessar fronteiras de forma devastadora”, declarou.
Impactos no Brasil
No Brasil, o El Niño costuma provocar redução das chuvas e períodos de seca mais severos na Região Norte, especialmente na Amazônia, enquanto aumenta a frequência de chuvas intensas na Região Sul.
Além disso, especialistas alertam para o aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos em todo o país, como ondas de calor, tempestades severas, enchentes e incêndios florestais.
O último episódio do fenômeno, registrado entre 2023 e 2024, contribuiu para secas históricas na Amazônia, enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul, aumento dos incêndios florestais e alterações no regime de chuvas em diversas regiões brasileiras.
Monitoramento e prevenção
Diante das previsões, a ONU reforça a importância de sistemas de alerta precoce e medidas de adaptação climática. No Brasil, o governo federal já anunciou a criação de um gabinete de monitoramento para acompanhar semanalmente a evolução do fenômeno e coordenar ações preventivas.
A expectativa é de que os próximos meses sejam marcados por maior instabilidade climática, exigindo atenção das autoridades e da população para possíveis impactos causados pelo avanço do El Niño.

