O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu à Justiça a condenação do empresário e influenciador Renato Cariani pelos crimes de associação para o tráfico de drogas, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de entorpecentes e lavagem de dinheiro. O pedido também envolve Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira, investigados no mesmo caso.
Segundo o cálculo apresentado pelo advogado criminalista Anderson Almeida, caso a Justiça acolha integralmente a acusação, as penas de cada réu podem variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de reclusão, além de multas. O cálculo considera a condenação por associação para o tráfico, 59 crimes relacionados ao tráfico de insumos e 59 crimes de lavagem de dinheiro, conforme as condições jurídicas mencionadas pelo especialista.
Cariani responde ao processo em liberdade. O pedido do Ministério Público ainda será analisado pela Justiça, e não representa uma condenação.
Investigação apura desvio de produtos químicos
O caso é resultado da Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023 para investigar um suposto esquema de desvio de produtos químicos utilizados na fabricação de drogas, especialmente cocaína e crack.
De acordo com a investigação, a empresa Anidrol Produtos para Laboratórios, da qual Cariani era sócio e que fica em Diadema, na Grande São Paulo, teria registrado operações fictícias para justificar a saída de substâncias químicas. Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) afirmam que esse procedimento teria ocorrido em 59 ocasiões.
As investigações começaram após a farmacêutica AstraZeneca procurar o Ministério Público, em 2019, para informar que não reconhecia movimentações de produtos químicos registradas em notas fiscais emitidas pela Anidrol em 2017.
Segundo a acusação, Fábio Spínola Mota teria participado da intermediação e da negociação dos produtos, além de realizar depósitos em dinheiro na conta da empresa. Ele também é apontado como responsável pela criação de um endereço de e-mail falso em nome de um suposto funcionário da AstraZeneca.
Ministério Público aponta conversas e documentos
Na denúncia, os promotores citam documentos, registros de movimentações e mensagens extraídas do celular de Cariani como elementos que, segundo a acusação, indicariam conhecimento sobre o destino dos insumos químicos.
O Gaeco também afirma que o empresário teria mantido contato próximo com um policial civil ligado à fiscalização de produtos químicos controlados e que essas conversas teriam interferido em procedimentos de fiscalização. Essas alegações fazem parte da acusação e ainda serão examinadas judicialmente.
Além de pedir a condenação dos três réus, o Ministério Público solicitou a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na Anidrol, e de Andréia Domingues Ferreira, também citadas durante as investigações.
Defesa afirma que buscará absolvição
Em nota, a defesa de Renato Cariani afirmou que recebeu com naturalidade o pedido de condenação e que ele não representa uma surpresa, uma vez que o Ministério Público mantém a mesma linha de acusação desde o início do processo.
O advogado Aldo Romani Netto declarou que a defesa responderá aos argumentos da promotoria na fase de alegações finais e sustentará, com base nas provas produzidas durante a instrução, que as acusações são improcedentes. A defesa afirmou ainda confiar na absolvição do influenciador.
Até as informações divulgadas, não havia posicionamento das defesas de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira.

