Um morador de Itaocara, no Noroeste Fluminense, desenvolveu um sistema artesanal para acompanhar o volume de chuva e o comportamento da água durante temporais na região.
O aposentado Celso Alves de Oliveira criou, por conta própria, um pluviômetro caseiro na localidade de Bocaina, distrito do município. No sistema apresentado em vídeo, ele explica como funciona o mecanismo, que utiliza um modelo simples de medição aliado a um sistema hidráulico para indicar a elevação do nível da água.
Segundo Celso, o equipamento foi implantado há cerca de três anos, mas o monitoramento das chuvas começou muito antes. Há aproximadamente 15 anos ele registra e acompanha as precipitações na região.
De acordo com as medições mais recentes, somente no mês de fevereiro foram registrados 252 milímetros de chuva na localidade — o maior volume já observado por ele desde que iniciou o acompanhamento.
“Dentro desses 15 anos de controle, é o fevereiro mais chuvoso que já observei. Todos os dias eu faço a aferição dos pluviômetros e fecho a medição às seis horas da manhã”, contou.
Monitoramento para ajudar a população
Para Celso, o acompanhamento contínuo das chuvas pode ajudar a comunidade a se preparar diante de volumes elevados de precipitação.
Segundo ele, a iniciativa busca orientar moradores sobre possíveis riscos e permitir que todos tenham mais tempo para se organizar durante períodos de fortes chuvas.
“Esse monitoramento permite ter uma noção mais precisa de como a situação evolui e ajuda a orientar a população. Para mim é um prazer ajudar as pessoas, fazer elas entenderem o sistema e terem tempo de se programar caso venha muita chuva”, explicou.
Além de auxiliar moradores, o sistema também contribui com informações que podem servir de referência para autoridades locais, evitando alarmes desnecessários e ajudando na prevenção de problemas relacionados a cheias.
Como funciona o sistema
Celso construiu um pluviômetro simples, utilizando materiais acessíveis, para medir diariamente a quantidade de chuva em milímetros.
Além disso, ele instalou um sistema hidráulico conectado ao chamado “balão de Caxias”, área que recebe grande volume de água proveniente de uma bacia formada pelas regiões do Morro Alto e do Caeté.
Tubulações ligam o ponto de drenagem a um açude construído na propriedade. O reservatório funciona como um indicador visual do nível da água. Uma válvula instalada no mecanismo reage à pressão conforme o volume aumenta, permitindo identificar diferentes estágios de cheia.
As marcações foram definidas ao longo dos anos com base em medições comparativas, relacionando a altura da água no reservatório aos níveis historicamente registrados na região.
Curiosidade desde a infância
Segundo Celso, o interesse pelo monitoramento das chuvas surgiu ainda na infância.
“Essa história de acompanhar a água e tentar ajudar as pessoas é antiga. Desde criança, com 9 ou 10 anos, quando eu passava por essa região, já tinha curiosidade de entender como funcionava a medição da chuva”, lembrou.
De baixo custo e desenvolvido de forma independente, o sistema se tornou uma ferramenta complementar de observação local e reforça a importância da participação da comunidade na prevenção de desastres naturais.
Informações: G1

