O que deveria ser uma aposentadoria tranquila transformou-se em uma luta pela vida para o Dr. Victor Murad, de 90 anos. Um dos fundadores da Sociedade de Cardiologia do Espírito Santo, o médico relatou pela primeira vez os detalhes do suposto plano de envenenamento e fraude financeira executado por sua ex-secretária de confiança, Bruna Garcia.
A funcionária, que trabalhava com Murad desde 2013 e tinha o controle total de suas finanças, é acusada de desviar mais de R$ 500 mil e tentar assassinar o médico sistematicamente com doses de arsênio.
As suspeitas começaram no ano passado, quando o cardiologista descobriu que suas contas estavam sem saldo. Enquanto Bruna desfrutava de um padrão de vida luxuoso — com viagens a Paraty e hotéis de montanha custeados pela vítima — a saúde do Dr. Victor definhava de forma inexplicável.
“Fiquei com anemia, fraqueza nas pernas e meu tremor de Parkinson aumentou drasticamente”, revelou o médico, que chegou a vomitar sangue durante o período de maior intoxicação.
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) afirma que a intenção do envenenamento era ocultar os crimes financeiros. A prova crucial foi obtida após a saída de Bruna:
O Frasco: Um recipiente com arsênio foi encontrado em um depósito na clínica.
O Exame: Como o arsênio sai rápido do sangue, a perícia analisou fios de cabelo do médico. O resultado confirmou o envenenamento sistemático por, pelo menos, um ano e três meses.
O Método: O veneno era misturado discretamente à água de coco e às refeições servidas no consultório.
Bruna Garcia está presa desde outubro de 2025 e responde por tentativa de homicídio qualificado e fraude financeira. A investigação apontou que o veneno foi comprado usando o nome do marido da acusada, embora a polícia tenha concluído que ele não sabia do plano.
A defesa de Bruna nega todas as acusações, alegando que as movimentações financeiras eram autorizadas e que o laudo de envenenamento não comprova a autoria direta da ex-secretária. Ainda em recuperação, o Dr. Victor Murad aguarda que o caso seja levado a júri popular para que a justiça seja feita.
informações: A Gazeta

