Diagnosticadas quase ao mesmo tempo, elas fizeram exames, cirurgias e sessões juntas na Fundação Cristiano Varella, em Muriaé (MG), e transformaram a coincidência em força mútua
Foi uma fisgada no seio que Waléria Capobiango sentiu pouco antes de a mãe, Maria Imaculada Ferraz, receber a indicação para fazer uma mamografia de rotina. Ela ainda chegou a oferecer a própria consulta à filha, mas Waléria recusou por achar que era apenas ansiedade e adiou o procedimento. Semanas depois, as duas receberam o mesmo diagnóstico: câncer de mama.
Maria Imaculada descobriu primeiro e a filha cerca de 15 dias depois. O processo foi tão rápido que as cirurgias foram realizadas com apenas um mês de intervalo na Fundação Cristiano Varella (FCV), em Muriaé. O que estatisticamente é raro (mãe e filha diagnosticadas com câncer de mama quase simultaneamente) virou, para as duas, um modo inesperado de atravessar a doença. “Ela ia abrindo o caminho na frente e eu ia passando”, conta Waléria, que acompanhava cada exame da mãe sabendo que faria o mesmo procedimento em seguida.
O cenário vivido por elas reflete uma realidade nacional, pois o câncer de mama continua no topo das preocupações da saúde da mulher no Brasil, com uma projeção oficial de 78.610 novos casos anuais para o triênio 2026–2028, segundo o INCA. É nesse gargalo de atendimento que atua a Fundação Cristiano Varella, credenciada como Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON), atendendo pacientes de mais de 230 municípios. A instituição foi destaque pela Global Health Intelligence, sendo reconhecida como um entre os 20 melhores hospitais brasileiros mais bem equipados da América Latina para o tratamento oncológico, oferecendo suporte integral pelo SUS, desde o diagnóstico até a reabilitação.
Foi sob esse amparo que a dinâmica familiar impôs um cuidado silencioso entre as duas. “Eu não fico triste para não deixar ela triste, e ela faz o mesmo comigo”, diz Waléria, e foi por meio dessa força invisível que as duas se sustentaram, “com isso, nenhuma de nós caiu e estamos vencendo.”, complementa.
Para a mãe, o desafio foi em dobro, porque além do próprio tratamento, ela precisava lidar com a doença da filha. “Foi um desafio, mas, ao mesmo tempo, descobrimos uma força que jamais imaginaríamos ter”, afirma Maria Imaculada. Hoje, com o próprio tratamento concluído, ela acompanha a filha às consultas e sessões, mas entende as diferenças de como o câncer se manifestou nas duas, já que ela mesma não teve que passar pela quimioterapia e enfrentar a perda do cabelo.
E esse momento foi um dos mais difíceis para Waléria, que precisou se submeter ao tratamento quimioterápico e, em consequência disso, ficar sem os fios. Nesse momento, ela decidiu gravar um vídeo relatando sua experiência e o publicou nas redes sociais não imaginando que o conteúdo viralizaria e a onda de apoio que ia receber, inclusive de desconhecidos, ia ajudar a aliviar a dor, mesmo que momentaneamente.
Sobre o tratamento oncológico, Maria Imaculada reforça que o cuidado recebido por todos os profissionais da instituição tornou a jornada mais acolhedora, mas entende que a mensagem principal é sobre a prevenção. “O tratamento ajuda o corpo, mas o que cura mesmo é o amor que recebemos daqueles que estão conosco nos dias mais difíceis”, resume a mãe. A recomendação prática para quem sente algo e hesita é clara: procurar ajuda médica o quanto antes, pois quanto mais cedo diagnosticado, maiores são as chances de sucesso do tratamento.

