O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou que não pretende promover cortes de gastos públicos que prejudiquem a população de baixa renda para conter o endividamento do país. A declaração foi feita em entrevista à TV Globo nesta quinta-feira (15), durante sabatina do Jornal Nacional.
Questionado sobre a trajetória da dívida pública e a condução da política econômica em um eventual quarto mandato, Lula defendeu que o crescimento da economia é o principal caminho para melhorar as contas públicas e reduzir a relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB).
“O jeito de você resolver o problema fiscal é fazer a economia ficar crescendo”, afirmou.
Presidente critica cortes que afetam os mais pobres
Durante a entrevista, Lula demonstrou oposição à estratégia de ajuste fiscal baseada em cortes de despesas que atinjam programas sociais. Segundo ele, a população mais vulnerável não deve arcar com os custos do controle das contas públicas.
“Toda vez que alguém quer resolver o problema fiscal, o pobre paga. Toda vez o pobre, e eu não quero que o pobre pague. Eu tô propondo não gastar, não cortar dinheiro do pobre”, declarou.
A sabatina também abordou o aumento de cerca de 10 pontos percentuais da dívida pública durante o atual mandato, trajetória que tem despertado preocupação entre economistas.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também foi citado durante a entrevista. Recentemente, ele afirmou que o modelo econômico concentrado no estímulo ao consumo apresenta limitações e que uma redução sustentável dos juros depende de avanços no controle das despesas públicas.
Ao comentar a divergência de perspectivas, Lula reiterou que o crescimento econômico deve ter papel central na estratégia fiscal do governo.
Crédito, salário mínimo e investimentos
O presidente reconheceu a preocupação com o aumento do endividamento público, mas defendeu a manutenção de políticas voltadas à ampliação do crédito, ao fortalecimento do salário mínimo e ao incentivo aos microempreendedores individuais (MEIs).
Lula também argumentou que o endividamento pode ser justificável quando os recursos são destinados a investimentos capazes de ampliar a infraestrutura e a capacidade produtiva do país. Entre os exemplos citados estão obras ferroviárias, hidrelétricas e portuárias.
Segundo o presidente, a prioridade é preservar os recursos destinados à população mais vulnerável e estimular a atividade econômica como forma de melhorar a situação fiscal.
As declarações reforçam a posição econômica defendida por Lula para um eventual novo mandato. O desafio será conciliar a manutenção das políticas sociais e dos investimentos públicos com a sustentabilidade da dívida e o equilíbrio das contas do governo.
Informações: G1

