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Emprego, crédito e impostos: veja as propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para a economia

Os planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026, apresentam propostas para enfrentar desafios relacionados ao emprego, ao empreendedorismo, ao endividamento e ao crescimento econômico.

Embora os dois documentos tratem da necessidade de estimular a atividade econômica e ampliar as oportunidades de trabalho, as candidaturas propõem caminhos distintos. Flávio Bolsonaro enfatiza a redução da burocracia, dos custos trabalhistas e da carga tributária, além da reformulação das regras fiscais. Lula defende a continuidade de programas de crédito, a valorização dos salários, a ampliação da proteção trabalhista e investimentos públicos e privados na indústria.

As medidas descritas a seguir são propostas e compromissos registrados nos documentos das candidaturas. Sua eventual execução dependerá das condições orçamentárias, das normas vigentes e, em determinados casos, da aprovação do Congresso Nacional.

Emprego e mudanças nas regras trabalhistas

Um dos pontos de diferença entre os programas está na forma como cada candidato pretende ampliar as oportunidades de trabalho.

O plano de Flávio Bolsonaro prevê a criação de um Banco Nacional de Vagas de Emprego, conectado aos sistemas de recursos humanos das empresas. A proposta é aproximar quem procura trabalho das empresas que precisam contratar, facilitando o acesso às oportunidades disponíveis.

O candidato também propõe contratos de trabalho com custos menores para incentivar a contratação de jovens de 18 a 24 anos em busca do primeiro emprego. Para trabalhadores com 50 anos ou mais que estejam desempregados há pelo menos 12 meses, o documento prevê condições de contratação mais atrativas para as empresas.

Outra medida é ampliar a possibilidade de negociação direta entre trabalhadores e empregadores, defendendo a prevalência do negociado sobre o legislado nos termos previstos na legislação. O plano também menciona jornadas mais flexíveis e a redução do custo do trabalho, com o objetivo declarado de estimular contratações.

Já o programa de Lula propõe fortalecer o Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda, além de ampliar a qualificação profissional e a integração entre trabalhadores e empregadores.

Uma das iniciativas previstas é expandir, por meio do Sistema Nacional de Emprego (Sine), uma Plataforma Pública Nacional de Empregabilidade com inteligência artificial. A ferramenta deverá integrar vagas de trabalho, cursos, certificações e serviços de orientação profissional.

O plano também prevê a continuidade da política de valorização real do salário mínimo e estabelece como compromisso atuar no Congresso para garantir o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal para 40 horas, sem diminuição salarial, conforme os termos mencionados no documento.

Para os trabalhadores de aplicativos, Lula propõe estabelecer regras para remuneração, condições de trabalho, direitos trabalhistas e previdenciários e transparência no funcionamento dos algoritmos.

Abertura de empresas e acesso ao crédito

O incentivo ao empreendedorismo aparece nos dois planos, mas com instrumentos específicos.

Flávio Bolsonaro propõe criar o programa Minha Primeira Empresa, voltado a pessoas que desejam iniciar um negócio. A iniciativa prevê menos burocracia para abrir e formalizar empresas, capacitação e orientação pelo Sistema S, além de acesso a crédito e serviços da Caixa Econômica Federal.

O plano também pretende ampliar o apoio financeiro a pequenos negócios e facilitar a expansão de micro e pequenas empresas para mercados internacionais, com participação de instituições como o BNDES e a ApexBrasil.

Outra proposta é transformar a Caixa em um chamado “Banco da Prosperidade”. Segundo o documento, a instituição reuniria em uma plataforma física e digital serviços de crédito, orientação financeira, apoio ao empreendedorismo e acesso à habitação.

O programa Ganha-Ganha, também previsto no plano, permitiria que ações como concluir cursos, formalizar negócios, conseguir emprego e manter as contas em dia contribuíssem para um histórico positivo do cidadão, com possíveis benefícios como acesso ao crédito, juros menores e cashback.

No plano de Lula, a proposta é dar continuidade e ampliar iniciativas de financiamento direcionadas a micro, pequenas e médias empresas.

O documento cita programas como Acredita, Procred 360, Desenrola Pequenos Negócios e Pronampe, além do uso de fundos garantidores para ampliar o acesso ao crédito. Também prevê fortalecer a digitalização e o aumento da produtividade das empresas por meio da expansão do Brasil Mais Produtivo.

O candidato ainda propõe ampliar a participação de pequenos negócios nas compras governamentais, melhorar o tratamento tributário durante a implementação da reforma tributária e incentivar a inovação e a inserção das empresas brasileiras no mercado internacional.

Endividamento das famílias e renegociação de dívidas

O endividamento também está presente nos documentos das duas candidaturas.

Flávio Bolsonaro relaciona a redução da dívida pública à possibilidade de diminuir os juros, tornar financiamentos mais acessíveis e facilitar o acesso ao capital de giro para pequenos negócios. O plano prevê ainda mudanças nas regras de concessão de crédito subsidiado com recursos do Tesouro e medidas de orientação financeira.

Lula, por sua vez, propõe acompanhar a evolução das dívidas das famílias e das empresas, manter mecanismos de garantia ao crédito e aprimorar as regras de concessão de empréstimos.

O plano do PT também cita o Desenrola Brasil e o Novo Desenrola Brasil, apresentados no documento como iniciativas voltadas à renegociação de dívidas. A proposta é dar continuidade às medidas para reduzir o comprometimento da renda com débitos, com atenção às famílias de menor renda, aos pequenos negócios e aos agricultores familiares.

Dívida pública, inflação e equilíbrio fiscal

Na condução das contas públicas, os candidatos apresentam diferenças mais evidentes.

Flávio Bolsonaro propõe reformular as regras fiscais com o objetivo de estabilizar e posteriormente reduzir a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB). O programa prevê a busca por superávits primários, o controle dos gastos discricionários e a limitação do crédito subsidiado com recursos do Tesouro.

O documento também relaciona o ajuste das contas públicas à redução dos impostos e à criação de condições para que os juros diminuam e a inflação retorne ao centro da meta. Entre as medidas administrativas mencionadas estão a redução de ministérios, cargos comissionados e despesas da máquina pública.

Lula defende a manutenção do atual arcabouço fiscal, com controle do crescimento das despesas primárias, melhoria da eficiência dos gastos públicos e combate a privilégios e distorções. O plano associa a responsabilidade fiscal à retomada do crescimento econômico, ao aumento dos investimentos e à redução sustentada das taxas de juros, mantendo a inflação sob controle.

O documento também prevê medidas de justiça tributária e a continuidade das políticas voltadas ao desenvolvimento produtivo.

Em relação à inflação, portanto, os dois candidatos estabelecem como objetivo controlar a alta dos preços e criar condições para reduzir os custos financeiros. A diferença está principalmente nos instrumentos destacados: o programa de Flávio enfatiza a redução da dívida pública e dos gastos, enquanto o de Lula combina controle fiscal, crescimento econômico, eficiência da despesa pública e mudanças tributárias.

Reforma tributária e redução de impostos

Flávio Bolsonaro propõe revisar a reforma tributária aprovada durante o atual governo e redimensionar mudanças que considera necessárias para reduzir a carga de impostos sobre a produção e o consumo.

O plano prevê reduzir o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) projetado para o novo sistema, corrigir distorções, diminuir exceções e assegurar a não cumulatividade dos tributos, evitando a cobrança de imposto sobre imposto. O documento também defende a simplificação das regras e a redução de tributos que, segundo a proposta, encarecem a atividade produtiva.

Lula propõe consolidar a implementação da reforma tributária e garantir tratamento tributário adequado para pequenos negócios. O plano também prevê regulamentar o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, criado no contexto da reforma, para apoiar investimentos e políticas destinadas a reduzir desigualdades regionais.

A proposta petista associa as mudanças tributárias à promoção de justiça fiscal, ao desenvolvimento da indústria e à melhoria do ambiente de negócios.

Indústria, tecnologia e minerais críticos

Os dois programas também incluem propostas para estimular a produção nacional e ampliar a participação brasileira em setores de maior conteúdo tecnológico.

Flávio Bolsonaro destaca os chamados minerais críticos, como lítio, nióbio, grafite, cobre, níquel, urânio e terras raras. O plano prevê ampliar o processamento desses recursos no Brasil e utilizá-los para fortalecer cadeias relacionadas a baterias, veículos elétricos, semicondutores, energia e inteligência artificial.

A proposta busca agregar valor aos recursos minerais dentro do país e estimular a criação de empregos qualificados, em vez de concentrar a atividade na exportação de matérias-primas. O documento também relaciona essa estratégia à atração de investimentos em tecnologia e centros de processamento de dados.

Lula apresenta uma estratégia de fortalecimento da Nova Indústria Brasil, com prioridade para inovação, inteligência artificial, minerais críticos, digitalização e desenvolvimento de cadeias produtivas nacionais.

O plano pretende ampliar a produção local, incorporar tecnologias aos processos industriais e fortalecer setores considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico. Também associa a política industrial à transição ecológica e à geração de empregos com melhores condições de trabalho.

Quais são as principais diferenças?

A comparação dos documentos mostra que os candidatos apresentam propostas para emprego, crédito, empresas e equilíbrio fiscal, mas atribuem pesos diferentes à atuação do Estado.

Flávio Bolsonaro prioriza a redução da burocracia e dos custos de contratação, o estímulo à negociação direta entre empresas e trabalhadores, a ampliação do crédito para empreendedores, a redução de impostos e a reformulação das regras fiscais para conter a dívida pública.

Lula dá ênfase à valorização do salário mínimo, à redução da jornada de trabalho sem corte salarial, à ampliação da proteção dos trabalhadores, ao crédito público para pequenos negócios e à participação do Estado no desenvolvimento industrial e tecnológico.

Nos dois casos, as medidas descritas são compromissos de campanha, e não garantias de resultados. O impacto de cada proposta dependerá de sua implementação, dos recursos disponíveis e das decisões necessárias no Congresso e nos órgãos responsáveis pela execução das políticas públicas.

Consulte os planos de governo na íntegra

Os documentos oficiais podem ser acessados no portal do Tribunal Superior Eleitoral:

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