Os planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026, apresentam propostas para diferentes etapas da educação brasileira, da primeira infância ao ensino superior.
Os dois candidatos abordam temas como alfabetização, formação de professores, conectividade nas escolas e ampliação do ensino em tempo integral. As principais diferenças aparecem nos mecanismos propostos para ampliar as vagas, organizar a gestão escolar, financiar os estudos e relacionar a educação à preparação para o mercado de trabalho.
Alfabetização e reforço escolar
Flávio Bolsonaro propõe priorizar o método fônico de alfabetização, baseado na associação entre os sons da fala e as letras. O plano também prevê o Programa Acolher, no qual estudantes com bom desempenho receberiam remuneração para auxiliar colegas com dificuldades de aprendizagem, presencialmente ou a distância.
A proposta estabelece ainda uma gestão escolar baseada em indicadores de desempenho e proficiência. Os repasses financeiros seriam vinculados a metas de aprendizagem, com previsão de mecanismos para não abandonar regiões que enfrentam maiores dificuldades.
Lula propõe dar continuidade ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, iniciativa desenvolvida em cooperação com estados e municípios. O plano estabelece a meta de alcançar 80% das crianças alfabetizadas na idade adequada e prevê uma estratégia permanente de recomposição e aceleração da aprendizagem, com atenção especial aos anos finais do ensino fundamental e ao ensino médio.
O documento também prevê fortalecer as ações de combate ao analfabetismo entre adultos.
A diferença está na ênfase: Flávio destaca um método específico de alfabetização, reforço entre estudantes e avaliação por resultados. Lula prevê continuar a política nacional de alfabetização, ampliar a cooperação entre os governos e recuperar aprendizagens em diferentes etapas da educação básica.
Creches e educação infantil
Na primeira infância, Flávio Bolsonaro propõe ampliar a oferta de creches em período integral, com alimentação e atenção ao desenvolvimento infantil.
Uma das principais medidas é o voucher-creche. Quando não houver vaga na rede pública, a família receberia um benefício para matricular a criança em uma instituição privada credenciada, até que surja uma vaga pública.
Lula prevê ampliar os investimentos em creches e na educação infantil por meio do Novo PAC, com apoio financeiro a estados e municípios para construção e conclusão de unidades. O programa também estabelece a expansão das vagas como parte dos compromissos relacionados ao Plano Nacional de Educação.
O documento registra que o Novo PAC apoiou a construção de 3.562 creches e escolas de educação infantil em 2.360 municípios e prevê ampliar o apoio aos governos locais no próximo mandato. Esses números são informações apresentadas pelo próprio plano de governo.
A principal diferença é o instrumento previsto: Flávio combina a expansão das vagas públicas com a possibilidade de custear temporariamente uma vaga na rede privada, enquanto Lula enfatiza o investimento na infraestrutura pública e a cooperação com estados e municípios.
Formação e valorização dos professores
Flávio Bolsonaro propõe capacitação contínua dos professores, com formação baseada em evidências científicas e voltada ao ensino. O plano também defende que as escolas sejam avaliadas pelo desempenho dos alunos, com financiamento relacionado a metas de aprendizagem.
Lula prevê manter o Piso Nacional do Magistério e dar continuidade às medidas de formação docente. Entre as iniciativas citadas estão o Pé-de-Meia Licenciatura, voltado ao incentivo à formação de novos professores, e o Bolsa Mais Professores, relacionado à fixação de docentes em regiões e áreas do conhecimento com maior necessidade.
Os programas convergem na importância da formação dos profissionais, mas dão ênfases diferentes: Flávio destaca capacitação associada a resultados escolares, enquanto Lula também prevê medidas de valorização da carreira e incentivos para atrair e manter professores na profissão.
Escolas em tempo integral e funcionamento nas férias
Flávio Bolsonaro afirma que pretende ampliar o ensino em tempo integral para oferecer mais horas de aprendizagem, reforço escolar e atividades formativas. O programa também prevê manter escolas abertas durante as férias por meio do projeto Escola nas Férias, com atividades esportivas, artísticas, musicais e literárias.
Lula também estabelece a ampliação do ensino em tempo integral como prioridade. O plano prevê manter o apoio financeiro a estados e municípios para a construção de escolas e expansão de matrículas, utilizando instrumentos como o Novo PAC e o financiamento pelo Fundeb.
O documento informa que 1,8 milhão de novas matrículas em tempo integral foram registradas entre 2023 e 2025 e prevê dar continuidade à expansão dessa modalidade.
A diferença é que Flávio detalha um programa específico para manter as escolas abertas durante as férias. No plano de Lula, o destaque está na ampliação das matrículas em tempo integral e no financiamento da infraestrutura educacional.
Tecnologia, conectividade e economia digital
Flávio Bolsonaro propõe levar robótica, computadores, tablets e internet às escolas. Também pretende incluir no currículo competências relacionadas à economia digital, com conteúdos voltados ao uso de novas tecnologias, inteligência artificial, empreendedorismo e educação financeira.
O plano prevê ainda a implantação de uma Política Nacional de Formação de Talentos, destinada a identificar e desenvolver habilidades consideradas necessárias para as profissões do presente e do futuro.
Lula propõe universalizar o acesso à internet de qualidade nas escolas. Segundo o documento, 75% das unidades já haviam alcançado os parâmetros de conectividade considerados adequados no momento da elaboração do plano. A meta é ampliar a cobertura para todas as escolas.
O programa também prevê continuar a expansão de recursos educacionais digitais, como o MEC Livros e o MEC Idiomas, que oferecem acesso a conteúdos de leitura e aprendizagem de línguas por meio de dispositivos móveis.
Enquanto Flávio destaca a inclusão de competências digitais no currículo e a instalação de equipamentos tecnológicos, Lula enfatiza a universalização da conectividade e a continuidade de plataformas públicas de aprendizagem.
Escolas cívico-militares e gestão escolar
Flávio Bolsonaro propõe ampliar as escolas cívico-militares e estabelece como diretriz uma educação que, segundo o texto, seja “livre de doutrinação político-partidária”, respeitando a liberdade de consciência e o papel das famílias.
O plano também prevê atendimento específico a estudantes com altas habilidades, com a implementação de políticas de identificação e estímulo às suas capacidades.
Lula, por sua vez, enfatiza a cooperação entre União, estados e municípios na gestão educacional, o compartilhamento de dados e a formação de gestores e equipes técnicas. O plano também prevê políticas de educação inclusiva, com apoio à acessibilidade e a estudantes com deficiência.
As propostas apresentam prioridades diferentes para a organização das escolas. Flávio destaca o modelo cívico-militar, a liberdade de orientação educacional e o acompanhamento de desempenho; Lula prioriza a articulação entre os sistemas de ensino, a formação de gestores e a ampliação de políticas de inclusão.
Ensino técnico e preparação para o mercado de trabalho
Flávio Bolsonaro pretende ampliar a oferta de educação técnica para estudantes do ensino médio, com cursos planejados em parceria com o setor produtivo. A proposta prevê que empresas possam financiar bolsas de formação para qualificar profissionais de acordo com suas necessidades.
O plano também propõe aproximar universidades e empresas, estimulando pesquisas aplicadas, inovação e transferência de tecnologia.
Lula prevê continuar a expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, com prioridade para regiões que têm pouca oferta de cursos. O documento também menciona o Partiu IF, que oferece preparação gratuita para estudantes do nono ano do ensino fundamental interessados em ingressar nos Institutos Federais.
O programa estabelece ainda a continuidade dos investimentos na educação profissional e tecnológica, buscando ampliar o acesso de jovens a cursos técnicos.
A diferença está na estratégia de expansão: Flávio enfatiza a articulação da formação técnica com empresas e demandas de contratação, enquanto Lula prioriza a interiorização da rede pública de ensino técnico e a ampliação do acesso.
Ensino superior, financiamento e inovação
No ensino superior, Flávio Bolsonaro propõe transferir a governança das universidades para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, aproximando as políticas de educação superior e pesquisa científica.
O plano prevê direcionar recursos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para iniciativas com impacto produtivo, inovação e transferência de tecnologia.
Outra proposta é substituir o modelo atual de financiamento estudantil por um Empréstimo Contingente à Renda. Nesse sistema, o estudante começaria a pagar o financiamento quando estivesse empregado e recebendo renda, com parcelas proporcionais aos ganhos.
Lula prevê continuar a expansão e a interiorização do ensino superior público, concluir obras em andamento e ampliar a assistência estudantil para facilitar a permanência e a conclusão dos cursos.
O documento também prevê a continuidade dos investimentos em universidades federais, a conclusão da nova unidade do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará e a implantação da Universidade Indígena e da Universidade do Esporte. No financiamento estudantil, o plano menciona a continuidade do ProUni e medidas relacionadas ao FIES.
As propostas apontam abordagens distintas: Flávio enfatiza a integração entre universidade, ciência e setor produtivo, além de um novo modelo de financiamento estudantil. Lula prioriza a expansão da rede pública, a assistência aos estudantes e a continuidade de programas de acesso ao ensino superior.
Esporte nas escolas
Flávio Bolsonaro propõe criar o Programa Escola de Campeões, com parcerias entre o poder público e a iniciativa privada para levar o esporte competitivo às escolas. A proposta prevê equipes escolares, treinos no contraturno e competições municipais e estaduais, além de associar a prática esportiva à permanência dos estudantes na escola.
O plano também menciona inclusão de pessoas com deficiência por meio do esporte e incentivo à identificação de talentos paralímpicos desde a base.
Lula, por sua vez, prevê ampliar as oportunidades de acesso dos jovens ao esporte, ao lazer e à cultura, além de fortalecer políticas educacionais e atividades culturais integradas à educação em tempo integral. O documento não apresenta um programa com a mesma estrutura e denominação do Escola de Campeões.
Quais são as principais diferenças?
Os planos de governo apresentam pontos de convergência, como a ampliação do ensino integral, o investimento em tecnologia, a formação dos professores e a preparação dos jovens para o futuro profissional. As diferenças estão nos instrumentos escolhidos para executar essas prioridades.
Flávio Bolsonaro propõe método fônico de alfabetização, gestão escolar por resultados, ampliação das escolas cívico-militares, vouchers para creches e vagas escolares quando faltar espaço na rede pública, além de maior aproximação entre a educação técnica, as universidades e o setor produtivo.
Lula prioriza a continuidade do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, a expansão de creches e escolas em tempo integral, a conectividade universal, a valorização dos professores e a ampliação da rede pública de ensino técnico e superior.
As propostas são compromissos de campanha, não garantias de execução. A implementação dependerá de recursos orçamentários, da cooperação entre União, estados e municípios e, em medidas que exigem alterações legais, da aprovação do Congresso Nacional.
Consulte os planos de governo na íntegra
Os documentos oficiais estão disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE):

