As contas do setor público consolidado registraram déficit primário de aproximadamente R$ 10 bilhões em agosto, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (30). O resultado considera o Governo Central, estados, municípios e empresas estatais e não inclui os gastos com juros da dívida.
Em agosto de 2025, o resultado havia sido negativo em R$ 17,3 bilhões. Na composição deste ano, o Governo Central apresentou déficit de R$ 14,7 bilhões, enquanto estados e municípios registraram superávit de R$ 2,7 bilhões. As empresas estatais tiveram superávit de R$ 2 bilhões.
Resultado acumulado no ano
Nos oito primeiros meses de 2026, o setor público consolidado acumulou déficit primário de R$ 88,9 bilhões, equivalente a cerca de 1% do PIB.
O resultado é superior ao déficit de R$ 61,8 bilhões registrado no mesmo período de 2025. Considerando apenas o Governo Central, o déficit acumulado chegou a R$ 97,1 bilhões.
A meta fiscal estabelecida para 2026 prevê resultado primário negativo de 0,25% do PIB. O arcabouço fiscal também estabelece uma margem de tolerância em torno da meta, além de permitir a exclusão de determinadas despesas do cálculo para fins de cumprimento da meta.
Déficit com juros chega a R$ 116 bilhões
Quando são considerados os juros da dívida pública, o chamado resultado nominal, o déficit do setor público consolidado chegou a R$ 116 bilhões em agosto.
No acumulado de 12 meses até agosto, o déficit nominal alcançou aproximadamente R$ 1,26 trilhão, equivalente a 9,48% do PIB.
Segundo o Banco Central, os juros nominais somaram cerca de R$ 1,18 trilhão no período de 12 meses, o equivalente a 8,86% do PIB.
Dívida pública chega a 82,9% do PIB
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) subiu 0,3 ponto percentual em agosto e alcançou 82,9% do PIB, o equivalente a aproximadamente R$ 11,05 trilhões, segundo o Banco Central.
A DBGG considera as dívidas do Governo Federal, do INSS e dos governos estaduais e municipais. O indicador havia encerrado julho em 82,5% do PIB.
A evolução da dívida é influenciada por fatores como o pagamento de juros, emissões líquidas de títulos e o crescimento nominal do PIB. O Banco Central acompanha esses componentes separadamente nas estatísticas fiscais.
Arcabouço fiscal
O atual regime fiscal foi instituído em 2023 e estabelece regras para a evolução das despesas públicas, vinculando o crescimento dos gastos à variação das receitas e estabelecendo limites para a expansão das despesas.
A avaliação do cumprimento da meta fiscal considera regras específicas, incluindo determinadas despesas que podem ser excluídas do cálculo conforme a legislação vigente.
Informações: G1

