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Colégio estadual destruído pelas chuvas é reinaugurado no Noroeste Fluminense

A Semana Santa foi marcada por lágrimas de alívio, sorrisos e um sentimento mais do que especial para alunos e professores do Colégio Estadual Alcinda Lopes Pereira Pinto, em Bom Jesus do Itabapoana, no Noroeste Fluminense. A unidade foi reinaugurada nesta quarta-feira (01/04), após ter sido destruída pelas fortes chuvas que castigaram a região em março de 2024, causando alagamentos e deixando dezenas de famílias desabrigadas em todo o município.

Na ocasião, a estrutura do prédio foi avaliada pelas equipes técnicas do Governo do Estado já nos primeiros dias e um processo de reforma foi iniciado. Entre os espaços revitalizados estão: as salas de aula que agora contam com televisores, o refeitório, a sala maker, a sala de recursos, a biblioteca e a sala de informática.

Foi feita a troca de todas as portas e janelas, a substituição de todos os computadores, dos mobiliários de sala de aula e de escritórios e dos equipamentos industriais de cozinha, além da pintura completa, obras de acessibilidade e a criação de um laboratório de Ciências. Em uma segunda fase, estão previstas ainda a reforma da quadra e a implantação de uma horta comunitária.

Referência para todos, a professora Lidete Couto, que trabalha na escola há 38 anos, dos quais 31 à frente da direção, viveu cada minuto da tragédia em 2024. Ainda em sua casa, pelo sistema de monitoramento do colégio, Lidete já assistia, com aperto no peito e lágrimas nos olhos, as águas invadirem a escola enquanto moradores que haviam se refugiado no espaço corriam para as partes mais altas em busca de socorro. Ao chegar lá e ver o estrago, a gestora coordenou a resposta, mobilizou equipes e foi o ponto focal entre a comunidade e as autoridades, motivo pelo qual foi elogiada e homenageada esta semana, mostrando que o amor ao ensino e a paixão pelo C. E. Alcinda Lopes é muito maior do que a força da natureza.

A docente contou que mesmo durante a limpeza e o período de obras, a escola não deixou de funcionar, garantindo o acesso à educação para os 90 alunos dos ensinos Fundamental e Médio, atendidos pela unidade.

O estudante da 2ª série do Ensino Médio, Lyan Victor Radaeli, que na época foi um dos voluntários, contou como tudo aconteceu e como se sente hoje.

Relembre o caso

Mais do que um colégio, a unidade servia como ponto de abrigo para chuvas fortes, tarefa que sustentou por horas enquanto casas do entorno já estavam com água quase no teto. Após resistir bravamente, a correnteza do rio Itabapoana, na divisa com o Espírito Santo, venceu o prédio e invadiu a escola, derrubando muros e destruindo computadores, mobiliários, equipamentos e até mesmo livros, registrando mais de um metro de água e deixando dor e tristeza no lugar.

Esses sentimentos, porém, se tornaram a força que uniu ainda mais todo o bairro de Usina Santa Isabel, onde a escola está localizada. Naquele dia, juntos, moradores, alunos e servidores, iniciaram, já nas primeiras horas após a chuva, um grande mutirão de limpeza, seguido do suporte dado pelo Governo do Estado que resultaria na reforma e inauguração do prédio, ocorrida esta semana.

Religiosa, a Lidete lembrou que a imagem de Nossa Senhora Aparecida que ficava em sua sala foi encontrada na frente da escola, suja de lama e barro, mas de pé, um símbolo forte de fé e de esperança e um sinal de que não estavam sozinhos.

Na cerimônia de reinauguração, ela e a comunidade escolar receberam homenagens da Seeduc, por meio da Regional Metropolitana Noroeste Fluminense, e até mesmo uma Moção de Congratulação e Aplausos aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal de Bom Jesus do Itabapoana, de autoria do vereador Pedro Baptista que a entregou em mãos. Autoridades, pais, estudantes e ex-alunos participaram do encontro e lembraram dos desafios superados. Entre eles, o senhor Leandro Carvalho, que tem três filhos matriculados na escola e viveu o drama das chuvas.

Em meio a apresentações artísticas, música, dança e discursos emocionantes, o novo ciclo da unidade foi iniciado. Com isso, o Colégio Estadual Alcinda Lopes Pereira Pinto e toda sua comunidade escolar se provaram verdadeiros exemplos, mostrando que nada é capaz de parar a educação quando se tem profissionais dedicados e um governo que se importa com o ensino.

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