Reajuste de 3,3 pontos percentuais na linha principal encarece as parcelas e reflete forte volatilidade no mercado financeiro após as eleições.
O Bradesco atualizou sua tabela de juros para o financiamento imobiliário nesta segunda-feira (26), reajustando a taxa mínima da linha principal de 11,70% para 15,00% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR). O movimento, de magnitude inédita no setor em um único reajuste, representa um salto de 3,3 pontos percentuais e foi anunciado logo após a definição do segundo turno das eleições presidenciais.
Com o novo patamar, o valor da primeira parcela do financiamento residencial pode subir cerca de 20%. Nas operações voltadas para o segmento de lote urbano, a taxa chegou a 18,50% ao ano.
Impacto nas simulações e custos do crédito
Levantamentos realizados em simuladores do próprio banco demonstram o impacto prático da mudança para os compradores:
- Financiamento residencial: Para um crédito de R$ 300 mil com prazo de 30 anos, as projeções indicam taxas de até 16,50% ao ano, elevando o valor da primeira parcela para R$ 4.675,76.
- Comparativo recente: Segundo dados do Banco Central, a taxa média praticada pela instituição para operações da mesma modalidade girava em torno de 11,77% ao ano no mês de setembro.
Especialistas e corretores de imóveis destacam que as condições finais variam de acordo com o perfil de crédito e a negociação individual, mas a elevação da taxa base deve exigir maior valor de entrada ou a busca por imóveis de menor valor por parte dos consumidores.
Contexto de volatilidade no mercado financeiro
A alteração nas condições de crédito ocorreu em um dia marcado por expressiva instabilidade nos mercados domésticos:
- Mercado acionário: A Bolsa de Valores (B3) registrou forte recuo de 13,88%, a maior queda diária verificada desde março de 2020.
- Câmbio: A moeda americana apresentou valorização superior a 8%, ultrapassando o patamar de R$ 5,40.
- Títulos públicos: Diante das oscilações nos preços dos papéis, o Tesouro Nacional realizou três operações extraordinárias de recompra de títulos públicos, movimentando um montante total de R$ 7,1 bilhões.
A expectativa do setor imobiliário agora se volta para o comportamento das demais instituições financeiras e para as próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), que definirão a trajetória da taxa básica de juros (Selic).

