Uma megaoperação deflagrada pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) prendeu dezenas de integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV). A ofensiva ocorreu simultaneamente em oito estados: Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Amazonas, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro. O foco principal da ação foi desarticular o braço financeiro e a estrutura logística do grupo, que atuava fortemente na região Norte cearense e mantinha conexões interestaduais.
No total, as autoridades cumpriram 46 mandados de prisão e ordens de busca e apreensão pelos crimes de integração em organização criminosa e lavagem de dinheiro. Das prisões efetuadas, 28 suspeitos foram detidos nas ruas e outros 18 mandados foram formalmente notificados a alvos que já se encontravam custodiados no sistema prisional. O estado do Ceará concentrou o maior volume da operação, com 41 decisões judiciais executadas.
Esquema Jurídico e Bloqueio Bilionário
As investigações apontam que o fluxo financeiro gerado pela rede criminosa ultrapassa a cifra de R$ 1 bilhão. Para dar aparência de legalidade aos ativos, o grupo contava com o suporte de profissionais do direito.
Dois advogados foram inseridos no rol de investigados sob a suspeita de instrumentalizar a profissão para favorecer a facção:
- Um advogado foi preso preventivamente em Fortaleza, indiciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa.
- Um segundo advogado foi alvo de busca e apreensão, tendo documentos recolhidos.
- O escritório de advocacia utilizado pela dupla também sofreu intervenção com mandados de busca autorizados pela Justiça.
Apreensões e Sequestro de Bens patrimoniais
De acordo com o delegado-geral da PCCE, Márcio Gutiérrez, o objetivo central da ação foi sufocar o poder econômico da organização. Além do pedido de bloqueio de contas bancárias vinculadas aos CPFs e CNPJs dos suspeitos, a polícia realizou um expressivo confisco material:
- Dinheiro em espécie: Aproximadamente R$ 100 mil recolhidos.
- Frota automotiva: 15 veículos apreendidos, incluindo modelos de luxo.
- Bens imóveis: 5 propriedades sofreram sequestro judicial, ficando impedidas de sofrer qualquer tipo de alienação, venda ou transferência no decorrer do processo.
- Arsenal: Armas de fogo e munições de diversos calibres foram retiradas de circulação.
Coordenação e Força-Tarefa
A ofensiva no Ceará foi estruturada por meio de uma força-tarefa composta pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas do Interior Norte (Draco-Norte) e pela Delegacia de Combate aos Crimes de Lavagem de Dinheiro (DCLD). Os setores operacionais contaram ainda com o suporte estratégico e de dados do Departamento de Inteligência Policial (DIP) para mapear o fluxo de capitais e localizar os alvos nos demais estados da federação.














