GUARAPARI, ES — Um projeto de infraestrutura de escala internacional promete redefinir o abastecimento de água no Espírito Santo. A Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan) detalhou o plano para a construção da maior usina de dessalinização do Brasil e uma das maiores da América Latina, que será instalada em Guarapari. O projeto encontra-se em fase de ajustes técnicos e deve ser submetido à consulta pública no início do próximo ano.
A iniciativa fundamenta-se em estudos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que alertam para uma possível redução de até 40% na vazão dos rios brasileiros até 2040. Diante desse cenário, a Cesan busca diversificar sua matriz hídrica para reduzir a dependência exclusiva de fontes superficiais, que enfrentam riscos crescentes de escassez.
Tecnologia e Parceria Estratégica O projeto utiliza tecnologias já consolidadas na Europa, especialmente na Espanha, referência mundial no setor. A viabilidade econômica do empreendimento será garantida por meio de um regime de concessão, atraindo parceiros privados para aportar os recursos necessários — estimados em alguns bilhões de reais — sem a necessidade de investimentos públicos diretos.
A usina terá capacidade para tratar 1.200 litros de água por segundo. Atualmente, unidades de grande porte no Brasil operam apenas em Fernando de Noronha, na ArcelorMittal (ES) e em fase final de construção no Ceará, sendo que a planta de Guarapari superará todas em capacidade produtiva.
Impactos Econômicos e Sociais Além de garantir o fornecimento de água potável em padrões idênticos aos da captação em rios, a usina é vista como um motor de desenvolvimento para o município. A segurança hídrica permanente é considerada um fator decisivo para a atração de novos investidores, expansão da rede hoteleira e crescimento industrial.
Economicamente, a instalação deve impulsionar a geração de empregos e a arrecadação tributária local, especialmente por meio do ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza).
Localização e Sustentabilidade A planta deverá ser instalada em um terreno próximo ao mar, nos arredores do Parque Estadual Paulo César Vinha, porém fora da área de preservação ambiental. A localização estratégica visa reduzir os custos de captação. O cronograma prevê que, após a fase de consulta pública e análise do Tribunal de Contas, o processo siga para leilão na Bolsa de Valores (B3).
“Estamos falando de um planejamento de longo prazo. Não podemos esperar a crise chegar para buscar soluções; o objetivo é garantir que as futuras gerações de Guarapari não sofram com o desabastecimento”, reforça a presidência da Cesan.
Informações: Folha Online ES














